Mas que na minha cabeça fazem um sentido tremendo.
Há pessoas que faziam melhor em deixar de comentar os vícios dos outros, as opções dos outros, o aspecto dos outros. A sério, vocês ganhavam mais com isso. Querem pensar mal, pensem, mas guardem para vocês ou arranjem um blog de língua de cobra mas anónimo. Porra, eu sei que não sou uma pessoa muito boa, e que tenho pensamentos sobre a humanidade e a cultura que a maioria de vós considerar-me-iam louca. Não escondo. Sanidade mental não é o meu ponto forte. O meu ponto forte é deixar-me estar calada na maioria das vezes (depois há as vezes em que digo a verdade e a coisa descamba porque ninguém gosta).
Escusam de tentar perceber quem eu sou. Vocês não sabem da minha vida, não viveram o mesmo que eu vivi. Logo aí, estão longe de poder fazer qualquer juízo a meu respeito. Ainda permito a algumas pessoas que sei que sabem sobre mim.
Há pessoas que acham que sabem quem eu sou. Lamento desiludir-vos, mas não, vocês não sabem quem eu sou. E a maior prova disso é que raramente querem conversar comigo, mas falam muito bem com outros, mandam pessoas mandar-me recadinhos, dizem uma coisa e fazem outra, quebram promessas... e vêem-me dizer, não, não te odeio, sou teu amigo, sou simpático com toda a gente. Quem faz isto e diz isto é um mentiroso de primeira quando ao fim de três anos a sensação com que eu continuo é a de que eu simplesmente podia desaparecer-lhes da frente que nem se ralavam. Porque agora acho mentira que alguma vez me tenham ligado, ou que tenham ficado sentidos com a minha falta nalgum dia.
Sou uma espécie de fantasma. Consigo, quis evitar isso. Tentei. Logo desde o início, queria ser simpática, prestativa, boa pessoa. Porquê? Porque eu fui genuína desde o início, olhe, estou aqui, esta sou eu, sou uma pessoa de baixa confiança e baixas espectativas, frágil, eternamente a dar para o triste, quero isto e vamos em frente.
Agora, ao fim de tempos a passar ao lado como se fosse ar, ter de falar de coisas que era suposto falar consigo com outras pessoas, só a ser reparada e ter alguma atenção quando faço merda, noutras alturas é como se eu nem lá estivesse presente, assim começo a não gostar disso.
Olhe, eu hoje estava uma merda. Estava devastada. Porquê? Porque a panelinha organizou uma coisa que eu até gostava, imenso, uma das coisas que cobiço de há dois anos para cá. Mas, efectivamente, estou excluída, ou assim penso, quisesse eu ou não, ignorada por vossas graças que tiveram tal brilhante ideia a tal preço que, não, não há possibilidade de o podermos despachar naquilo. E as pessoas não percebem porquê? Eu, às vezes, também não percebo. Hoje percebo porfeitamente.
Todos, ou quase todos, repararam. Uns quantos ainda comentaram, exercitando a minha capacidade de mentir com um "não se passa nada". Mas para si, tanto lhe fez.
O meu eu vingativo, que é o que me falta eliminar para antigir o hippie, isso e o preto, espera que tal como eu vou amargar em casa a imaginar o quanto me podia ter divertido e o quanto lhe podia ter olhado para as costas, espera agora que se é assim tão verdade que gosta de mim, então que amargue também por eu aí não estar porque em minuto algum, alguma vez, me deu ouvidos. Ou sequer me quis conhecer ou ajudar. Agora já vem tarde. Não quero ajuda sua, não quero contrair mais dívidas consigo.
Assim, tenho para mim que realmente a melhor filosofia de vida é a do desprendimento moderado das pessoas. Ninguém se magoa. E façam-me o favor de guardar as pedras em casa, que dão jeito para fazer sopa.
E se eu quero ser violinista, o que é que meio mundo tem a ver com isso?