Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
22 de Fevereiro de 2012

   Sou uma grande trampa a nível social. Reconheço isso quando admito plenamente que não percebi o smile que ele me meteu na resposta. Eu sei que escrevi de uma forma a que não estão muito habituados (aquela forma ligeira, um tanto mais leve para esconder o que realmente por aqui anda, e, como eu já sei que não consigo evitar por mais que tente, ironia lá presente, lá e em tudo o que escrevo).

 

   Não percebo smiles. Não percebo aquilo. Era suposto ele nem me mandar smiles. Aquele smile significa o quê? Ironia para a minha pessoa? Ah ah, perdeste? Tenho-te na mão, controlo a tua mente? Estou contente? Estou a fingir que estou contente?

   I'm puzzled.

 

   E a falta de skills para me portar bem socialmente com pessoas manifesta-se em grande.

 

   E amanhã vai dar-me o fanico. Porque isto está muito engraçado, ora está afinado, ora está completamente desafinado.

Orquestrado por Violinista às 19:30
No momento, estou: Mortificada
Música do momento: Concerto para violino de Kabalevsky
Palavras soltas: , , ,
21 de Fevereiro de 2012

   Ponho a máscara de porcelana fina na minha cara. Lá fora, a noite está reflectida nas águas calmas dos canais. Inundei esta cidade com água escura, e arrastei gôndolas para aqui, para ver se desta feita fica mais bonita, mais festiva... porque está cada vez mais cinzenta. Esta cidade oprime-me. Quero fugir dela. Quero regressar a ela, ao que me lembrava dela. Há quanto tempo foi?

   A porcelana está fria na minha pele, mas não importa. Nem está frio, está calor. O fato negro modela-me o corpo contra o céu, cada vez mais escuro também. Tenho os olhos verdes de fora, não precisando deles. As imagens ficam desaceleradas, enegrecidas.

 

   Limitei-me a ficar de pé a tocar um violino que não é meu, com uma máscara nobre de porcelana branca, de roupa negra e um chapéu de três bicos. Foi só o que fiz. Não sei de onde veio a água, de onde vieram as gôndolas que nela vogam. Sei que numa delas estás tu.

   Numa delas, tocas tu.

 

   A minha máscara tem um sorriso de paródia.

 

   Hoje pensei numa música nova.

Orquestrado por Violinista às 19:58
No momento, estou: Out of my ruins
Música do momento: Carnevale di Venezia - Paganini
Palavras soltas: , ,
18 de Fevereiro de 2012

   Mas que na minha cabeça fazem um sentido tremendo.

 

   Há pessoas que faziam melhor em deixar de comentar os vícios dos outros, as opções dos outros, o aspecto dos outros. A sério, vocês ganhavam mais com isso. Querem pensar mal, pensem, mas guardem para vocês ou arranjem um blog de língua de cobra mas anónimo. Porra, eu sei que não sou uma pessoa muito boa, e que tenho pensamentos sobre a humanidade e a cultura que a maioria de vós considerar-me-iam louca. Não escondo. Sanidade mental não é o meu ponto forte. O meu ponto forte é deixar-me estar calada na maioria das vezes (depois há as vezes em que digo a verdade e a coisa descamba porque ninguém gosta).

 

   Escusam de tentar perceber quem eu sou. Vocês não sabem da minha vida, não viveram o mesmo que eu vivi. Logo aí, estão longe de poder fazer qualquer juízo a meu respeito. Ainda permito a algumas pessoas que sei que sabem sobre mim.

 

   Há pessoas que acham que sabem quem eu sou. Lamento desiludir-vos, mas não, vocês não sabem quem eu sou. E a maior prova disso é que raramente querem conversar comigo, mas falam muito bem com outros, mandam pessoas mandar-me recadinhos, dizem uma coisa e fazem outra, quebram promessas... e vêem-me dizer, não, não te odeio, sou teu amigo, sou simpático com toda a gente. Quem faz isto e diz isto é um mentiroso de primeira quando ao fim de três anos a sensação com que eu continuo é a de que eu simplesmente podia desaparecer-lhes da frente que nem se ralavam. Porque agora acho mentira que alguma vez me tenham ligado, ou que tenham ficado sentidos com a minha falta nalgum dia.

 

   Sou uma espécie de fantasma. Consigo, quis evitar isso. Tentei. Logo desde o início, queria ser simpática, prestativa, boa pessoa. Porquê? Porque eu fui genuína desde o início, olhe, estou aqui, esta sou eu, sou uma pessoa de baixa confiança e baixas espectativas, frágil, eternamente a dar para o triste, quero isto e vamos em frente.

   Agora, ao fim de tempos a passar ao lado como se fosse ar, ter de falar de coisas que era suposto falar consigo com outras pessoas, só a ser reparada e ter alguma atenção quando faço merda, noutras alturas é como se eu nem lá estivesse presente, assim começo a não gostar disso.

 

   Olhe, eu hoje estava uma merda. Estava devastada. Porquê? Porque a panelinha organizou uma coisa que eu até gostava, imenso, uma das coisas que cobiço de há dois anos para cá. Mas, efectivamente, estou excluída, ou assim penso, quisesse eu ou não, ignorada por vossas graças que tiveram tal brilhante ideia a tal preço que, não, não há possibilidade de o podermos despachar naquilo. E as pessoas não percebem porquê? Eu, às vezes, também não percebo. Hoje percebo porfeitamente.

   Todos, ou quase todos, repararam. Uns quantos ainda comentaram, exercitando a minha capacidade de mentir com um "não se passa nada". Mas para si, tanto lhe fez.

 

   O meu eu vingativo, que é o que me falta eliminar para antigir o hippie, isso e o preto, espera que tal como eu vou amargar em casa a imaginar o quanto me podia ter divertido e o quanto lhe podia ter olhado para as costas, espera agora que se é assim tão verdade que gosta de mim, então que amargue também por eu aí não estar porque em minuto algum, alguma vez, me deu ouvidos. Ou sequer me quis conhecer ou ajudar. Agora já vem tarde. Não quero ajuda sua, não quero contrair mais dívidas consigo.

 

   Assim, tenho para mim que realmente a melhor filosofia de vida é a do desprendimento moderado das pessoas. Ninguém se magoa. E façam-me o favor de guardar as pedras em casa, que dão jeito para fazer sopa.

 

   E se eu quero ser violinista, o que é que meio mundo tem a ver com isso?

Orquestrado por Violinista às 23:26
No momento, estou: Não sei nem quero saber.
Música do momento: Concerto para violino de Kabalevsky
Palavras soltas: , , , ,
17 de Fevereiro de 2012

   Adeus.

   Amo-te, eternamente.

 

   Boa sorte.

Orquestrado por Violinista às 22:52
Palavras soltas: , , ,
16 de Fevereiro de 2012

   Mas a quem é que eu fiz mal para merecer isto? Tenho pouco mais de duas semanas para estudar, memorizar, acertar erros, ensaiar com piano de acompanhamento e, simplesmente, enfiar um andamento de concerto na cabeça via lavagem cerebral intensa para o cérebro, mesmo adormecido ou em estado de choque profundo, saiba exactamente onde tocar e onde estar quieto à espera do fim da pausa, e onde tocar, e onde é pausa, e agora tocas, e agora estás caladinha...

   Para não falar de não deturpar o tempo, a minha eterna batalha, mas porque é que não existe uma única peça que seja ad libido do início ao fim? Fora o problema crónico da aceleração. Quanto mais nervos, mais velocidade. E tendo só o Oistrakh para ajuda à memorização também não ajuda, só que recuso-me plenamente a ouvir os chinesinhos a tocarem aquilo. Tenho motivos para a depressão que me cheguem.

 

   O Kabalevsky decorado para a audição...

 

   Vou ali chorar ao meu cantinho e já volto.

 

   Melhor ainda é quando me diz que na próxima aula há teste no estudo, que me deixa simplesmente perplexa a olhar e a pensar "BOLAS PÁ! Estive um ror de tempo a tentar que isto ficasse afinado, e não me parecia afinado, e agora devo ter feito tanta merda que já levo um teste em cima dos cornos." Não me lembro de em mais nenhuma aula (e já lá vão dois anos) me ter falado em testes. Se calhar fazia-os completamente inocente e sem saber.

   Estou em choque.

 

   Porém estou, agora, segura que não é uma das pessoas que me lê o blog. Ou lê e não percebe o que aqui escrevo. Ou leu, percebeu perfeitamente e por agora isto está numa calma anormal que mais tarde se transformará num inferno. Costumo dizer às pessoas que escrevo mal de toda a gente aqui. Fui à procura, mas o problema é que com essa criatura, tirando a minha forma um bocado excêntrica como penso nele, eu falo bem... demasiadamente bem.

   Se soubesse dos sonhos que tenho, nunca mais haveria de querer ficar a menos de dez metros de mim.

 

   Não sei se a arrecadação é à prova de som suficientemente. Ou é, ou daqui a uns dias os meus vizinhos vão perseguir-me com tochas e forquilhas. Não que eu goste lá muito de vizinhos, anyway.

 

   Continuo triste por não poder ir àquela visita. Queria muito. Adorava poder ir. Mas é mais do que eu posso pedir aos meus pais para pagarem para me deixarem dar uma voltinha pelo Museu da Música e pela Gulbenkian. Infelizmente, andamos longe de cagar ouro.

Orquestrado por Violinista às 23:51
No momento, estou: Shocked
Música do momento: Concerto para violino de Kabalevsky

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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