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  <title>Fantasma da Orquestra</title>
  <subtitle>Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.</subtitle>
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    <name>Violinista</name>
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  <updated>2012-04-22T00:50:45Z</updated>
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    <issued>2012-04-22T01:11:44</issued>
    <title>Não são vocês; sou Eu</title>
    <published>2012-04-22T00:50:45Z</published>
    <updated>2012-04-22T00:50:45Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Eu não sei gracejar. Quando tento brincar ou ser irónica, levam-me demasiadamente a sério. Quando quero apenas falar mais calmamente, penso que estou a ser uma cínica. Culpa da palavra escrita, de não ouvirem a voz e a expressão.&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px currentColor;" src="http://data.whicdn.com/images/24060896/tumblr_m06f0gSg6i1qfyhg5o1_500_large.jpg" alt="" width="500" height="324" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O meu pai sabe de tudo. Desconfiou. Pensou. Descobriu uma boa fatia do iceberg. Deve-se ter começado a aperceber há mais tempo, por todas as situações, ou mais recentemente porque deixei escapar que só ia ver concertos se ele fosse. Não tem como dizer nada, não tem como fazer nada. Não há como. A não ser calar e comer. E esperar. E pelo meio engolir muitas palavras, umas doces, umas amargas, engolir medos, engolir pecados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Tal como não acredito em pessoas, deixei de acreditar em mim. Sou a pessoa de menor confiança, já que, aparentemente, não consigo nem sequer exprimir-me correctamente, nem dar-me com outras pessoas. Sim, pode dizer-se que como humana social, falhei redondamente. Não gosto de pessoas porque tenho um medo absurdo delas. E quanto mais gosto da pessoa, mais medo tenho dela. Medo de um julgamento que fica implícito no ar, de ficar apenas com a imagem de estúpida, burra. Um medo de falhar, enorme. Já perdi a conta aos anos que passei a acreditar que não tinha talento nenhum, eram todos bons a fazer alguma coisa que apreciavam menos eu. Consequências, talvez, de ter ouvido que não cantava nada e devia era nem ter voz depois de uma visita de estudo num autocarro. Talvez, desses anos todos em que também me chamavam "cadela".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Os meus pais educaram-me, e eu tenho respeito pelas pessoas, algum carinho às vezes, evito aceitar coisas e favores, dou uma mão para ajudar quando posso. O problema foi ter dado uma mão, depois o braço, até me morderem nas costelas. Sabem aquela coisa que não se devia fazer, a de dar as respostas do teste ao amigo? Fiz, vezes e vezes sem conta. Pensei que isso era ser amiga, estar a ajudar, a mostrar que gosto dos meus amigos. Dá para perceber que já nessa altura eu era burra, e não mudei nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu chegava a sentir "pena". Não creio que alguma vez alguém tenha sentido isso por mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Fui do oito ao oitenta, da rapariga dócil a esta máscara impessoal que já não sabe o que contém. Não me reconheço nas fotos de infância. Perdeu-se o brilho nos olhos, o sorriso. A menina que se vestia de mil e uma cores, e saias. Não me interpretem mal, eu adoro preto, adoro vestir-me de preto, e calças, e roupas clássicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Custa viver assim. Para os outros sou estranha. Para não dizer que, ao que parece, acabo por meter medo a uns, outros têm raiva de mim, seja do que faço, seja da inércia. Não dirijo isto em específico para ninguém.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A verdade é que iniciei o blog com três fins. Buscar ajuda, relatar a vida musical minha (ui, que interessante que ela é) e de quando em quando desabafar estupidamente. Preciso de dizer merdas algum dia da minha vida, prefiro fazê-lo num blog do que rebentar à frente de pessoas que não merecem aguentar com a minha frustração e as minhas choraminguices da treta. Posso tentar engolir tudo, mais uma vez. E mais uma vez...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O blog acabou por falhar em tudo. A ajuda de que preciso nunca vai chegar, é um daqueles milagres impossíveis de operar e eu não acredito em Deus. A partir do momento em que tenho de estar a explicar posts do blog para não me interpretarem de forma errada, tenho de apontar o que a sério e o que foi uma tentativa de ironizar num dia em que me correu mal, correu mesmo mal, perde-se o sentido de escrever num blog. A partir do dia em que temos receio de escrever no blog, caso não tenhamos o azar de escrever alguma coisa que ofenda alguém, acabou-se o blog. E, desculpem, eu cansei-me disso. Entendam: as pessoas que eu conheço, conhecem-me, e as que só lêem estas palavras; o problema não é, nem nunca foi, de vocês. Sejam meus conhecidos, tenham-me dito alguma coisa, nada disso me ofendeu ou provocou isto. Sou eu. O problema sou eu. A doença sou eu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Vou parar isto. De qualquer das formas, já não escrevo mais do que textos pseudo-intelectuais negros sobre suicídio, sangue, prozac, amor perdido e coração arrancado do peito e oh! a dor, num caderninho, que não publico aqui, nem penso algum dia publicar. Não há mais nada a fazer. Pode ser que algum dia me dê na telha voltar a escrever. Mantenho o pequeno projecto de blog para um dia, se começar o curso na Universidade, sabe-se lá onde. Até lá, deixo-vos apenas arquivos. Memórias. Aquilo que me impede de apagar isto tudo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu juro que não escrevi isto a pensar em ninguém específico. Foi em todos. Não quis, nem quero, ofender ninguém. Isto é um texto literal: qualquer tentativa de leitura entre linhas e significados é por vossa conta e risco, porque eu desisto de tentar escrever sem margem para erros de interpretação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Até breve. E já agora, tirando aquelas pessoas a quem eu faço questão de desprezar na cara, eu adoro-vos a todos, mesmo que me metam medo. Adoro as vossas conversas, os vossos bolos. Adoro a vossa atenção, porque às vezes sabe bem. Adoro-vos. E é só.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-04-20T23:54:02</issued>
    <title>Vou choramingar um bocado</title>
    <published>2012-04-20T23:09:34Z</published>
    <updated>2012-04-20T23:29:50Z</updated>
    <category term="orquestra"/>
    <category term="estou farta de tags"/>
    <category term="violino"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Por favor, se alguém conseguir pensar numa coisa pior que ficar sem arco num ensaio da orquestra e ainda por cima num dia em que termino por aterrar lá à frente, aterrada, escreva isso num papel e depois queime-o que eu não quero saber disso. Seja como for, ainda devo de encontrar algo pior que isso, algum dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Para já, fico-me a choramingar que não quero ir para o lugar de concertino e aquela gente hoje conspirou contra a minha pobre pessoa.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-04-19T22:50:46</issued>
    <title>Apercebo-me que esta cidade é pequena</title>
    <published>2012-04-19T22:03:33Z</published>
    <updated>2012-04-19T22:03:33Z</updated>
    <category term="orquestra"/>
    <category term="pessoas"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Quando vou tocar para o museu de arte sacra e acabo, sabe-se lá como, a tocar na presença do padre que me baptizou, fez a primeira comunhão, acompanhou-me na catequese e gostava de me pôr a ler, porque pelos vistos tinha jeito e voz para ler passagens da Bíblia e sermões. Detalhe: já há cinco ou seis anos que não ponho os pés numa igreja, a não ser para tocar, e já há nove anos que não pratico catolicismo nem nada que pareça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mas não me preocupo muito. Quando morrer, morri e desintegrei-me na natureza. Se houver inferno, não pode ser pior que isto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Encontro toda a espécie de pessoas, mesmo quem eu não quero encontrar. Em alturas que não quero encontrar. Jutem a isso o dom de saber informações sem querer e quando menos quero. Se calhar podia trabalhar para uma agência de espionagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Também tenho andado muito saída da casca. Bom, pelo menos se neste ano der merda para o final, e já estou a prever, porque matricular para o curso complementar de música é o que se vê, a prova é melhor nem falar nela, já sei que a culpa é definitivamente minha. Ao menos desta tenho a fama e o proveito. Não que eu goste. Mas já estou farta de andar apoquentada anos a fio e no final ainda as levar porque sou introvertida e não falo com ninguém. O amigo que eu quero não quer ser meu amigo. Com os outros, já disse, não confio em humanos.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-04-15T00:24:04</issued>
    <title>E a música continuou horas na noite até ao fim...</title>
    <published>2012-04-14T23:20:02Z</published>
    <updated>2012-04-14T23:20:02Z</updated>
    <category term="violino"/>
    <category term="titanic"/>
    <content type="html">&lt;div class="saportecontainer saportepreserve" style="float: left;"&gt;&lt;img style="border: 0px currentColor;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Wallace_Hartley.gif" alt="" width="100" height="118" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;   A pancada estrondosa ouviu-se pelo navio inteiro, acordando choros e abrindo olhos incrédulos, assustadiços. Lembro-me, são memórias difusas. Eu estava lá. E almadiçoei-me amargamente por ter aceitado ir ali naquele navio, depois de tudo o que já tinha corrido mal. No Lusitania e no Mauretania, ainda era listado como membro da tripulação. Agora veja-se: Titanic, maior e melhor cruzeiro do mundo, de uma companhia tão amável para os seus passageiros; e eu, primeiro violinista, obrigado a ir como passageiro de segunda classe e sem sequer estar seguro. Temia por mim. Temia pelo violino. Temia pela minha noiva. Queria apenas que a viagem terminasse e que eu pudesse voltar para casa, continuar um violinista vivo. Foi o que não fiz ao aceitar o convite para o Titanic.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Reunimo-nos. Eu e os outros músicos. O trio de piano, violino e violoncelo e o meu quinteto. Foi a primeira noite que tocámos todos juntos como irmãos unidos pela música dos nossos instrumentos. Uma última tentativa de elevar o ambiente gelado a bordo daquele navio morto, agora uma carcaça à espera do inevitável desaparecimento nas águas profundas e escuras do oceano. Era uma questão de horas. Engoli em seco, apertei mais ainda o violino. Não ia voltar a casa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Deixámos de tocar quando o navio se inclinou, em rangidos sinistros. Lembro-me de cair à água e deixar de ouvir os meus irmãos. Mergulhei no líquido gelado agarrando o violino e nada mais que isso, enquanto facadas me arrepiavam os nervos do corpo. As luzes apagavam-se. Ouvia música ainda, nos meus ouvidos. No final, só me restou a música.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px currentColor;" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_m2hqdhSn5D1qbatypo1_500.gif" alt="" width="500" height="600" /&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2012-04-10T20:31:13</issued>
    <title>Em memória de uma morte</title>
    <published>2012-04-10T19:40:37Z</published>
    <updated>2012-04-10T19:42:49Z</updated>
    <category term="morte"/>
    <category term="fuck privacidade quero um abraço seu"/>
    <category term="amigos"/>
    <category term="tristezas"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Há notícias que nos dão um murro no estômago. Uma chapada na cara, arrancam-nos gradualmente as entranhas quando nos apercebemos que não éramos tão alheios à situação quanto se mostrava. A morte de uma pessoa. Uma pessoa que até era próxima. Isso põe um vidro entre o presente e o passado, e agora só podes olhar o teu tempo passado com essa pessoa com as mãos e a cara encostadas ao vidro, sem o transpôr. De repente, tenho medo, um medo insano. Não sabia que o tinha porque nunca tinha pensado nele a sério. Perder um conhecido para a morte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A Associação foi a minha primeira casa, o meu primeiro passo. A tímida rapariga de franja vermelha entrava lá porque as aulas de violino eram mais baratas, falara com aquela senhora, fizera a inscrição, esperava pelo professor. A rapariga passou a frequentar aquele edifício tosco, de cartaz gasto do sol, as paredes descascadas, as salas simples, com defeitos, com o aquecedor quase sempre ligado, as cadeiras para nós, as cadeiras para os violinos, o teclado. Aquele mundo. A senhora sorria. Sorria sempre, ou quase sempre. Também a ouvia reclamar, falar de outra forma, como outra pessoa qualquer comum, viva, humana. Foi sempre simpática comigo, e não era só por eu lhe despachar dinheiro para as mãos por mais um mês de aulas de violino. Lembro-me de a ouvir cantar. Lembro-me daquele concerto que dei, eu como solista de violino, e eles num grupo vocal. Com essa imagem feminina prendem-se memórias minhas, de sonhos, esperanças. De um início de eu com o violino, de um início de um eu que começava agora a levantar. Não me viu ir embora quando fui, quando percebi que se calhar estava na hora de ir para buscar algo mais. Tinha recibos de meia dúzia de meses que paguei e não tinha tido oportunidade de ir buscar os papéis. Parece-me que agora não os vou mesmo ter. Foram-se. Foi-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Morreu na quinta. Eu, que estou afastada agora daquele espaço, sou apanhada de surpresa. Soube por ele, que gostou das publicações do professor que estava com a senhora, professor que eu conheço, às vezes falava (o como eu sou uma stalker de primeira água, as actualizações dele, mesmo as mais mínimas e idiotas, aparecem-me na dashboard). Soube tarde. Quero deixar uma mensagem de apoio lá, mas como? O professor não me conhece no Facebook, e eu também faço o favor de não ter nome de gente lá. Não somos tão próximos quanto isso. Tenho medo de soar mal. Deixo, ou não deixo? Escrevo, ou não escrevo? Por favor ajudem-me. Porque apesar de ter deixado a Associação, eu não me desliguei de todo destas pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu costumo inventar histórias na minha cabeça. Histórias em que uma ex-amiga, uma inimiga ou uma estúpida qualquer chegava àquela Associação para se apoderar de algo musicalmente mágico. E matava as pessoas. Matava a senhora que sorria e que era a grande cabeça do lugar. Matava o professor. Matava o professor de violino. Matava-me. Eu regressava como fantasma, para ajudar a pessoa que restava a restaurar a paz naquele lugar. Todos voltavam. Todos voltavam vivos. Não sei qual é a inimiga. Talvez tenha que esperar até morrer, para descobrir isso, e ajudar todos a voltar. É uma fantasia. Um dia morrerei, sim, mas depois de morta não serei mais fantasma do que sou agora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A morte da senhora abriu a porta para o meu maior receio. A morte de conhecidos. A morte de amigos. Não suportarei se algum amigo se for para o outro lado e eu ficaar só com o passado envidraçado, estático.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   À senhora Maria João. Que encontre paz na alma. Que se torne una de novo com a natureza, respire o mais puro dos ares, seja a mais pura das terras. E um dia, talvez, nos voltemos a encontrar.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-04-08T00:47:02</issued>
    <title>Páscoa</title>
    <published>2012-04-08T00:08:02Z</published>
    <updated>2012-04-08T00:08:02Z</updated>
    <category term="blogs"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="chocolate"/>
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    <content type="html">&lt;p&gt;   E a minha Páscoa foi isto, de Falla, vou morrer antes de alguma vez conseguir tocar esta coisa, Kabalevsky, AH! bem sabia que não eras de confiança, e agora vou estar um período a tocar um andamento que faça o que fizer não consigo gostar mas vou tocá-lo por obrigação porque sim, por isso é que mesmo assim a espanholada está melhor porque foi tocada mais vezes, acho que posso dar quase por cumprida a primeira fase do projecto "vamos ser um bocadinho auto-didatas porque à coisas que quero tocar e por este andar não lhes pego", voltei a fazer aquilo, a minha avó disse que gostava, só tinha é que estudar um bocado mais para sair melhor, acho que finalmente consigo chegar ao fim daquele estudo, procastinei fortemente no outro, inventei dedilhações kamikazis para a escala, próxima quinta serei mortalmente decapitada, passei as noites a ver filmes de terror japoneses, fui à procissão aqui da terreola mordor com as tias todas que vivem na cidade a olharem descaradamente para as montras quando passavam e eu a ter pensamentos nada católicos nem sequer de crente porque não sou crente e apesar de tudo fui para ouvir a banda e os clarinetistas a tocar uma música assim de marcha fúnebre cujo nome era Maria Emília, empanturrei-me em chocolate e tenho necessidade de mais chocolate.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Como vêem, com uma vida tão interessante, nem aqui vim. Não. Na verdade, o violino é interessante e agora cheira a lavanda por dentro. Só espero é que não descubram como é que acabou a cheirar a lavanda por dentro. E tive o meu tempo de reflecção sobre umas quantas coisas, chegando sempre à inevitável conclusão que não há motivo para eu dar tanta importância às pessoas, se obviamente nasci para ser solitária.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Cogito ir tocar a solo para o adro da Sé. Com três quilos de chocolate ao lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Também penso mudar de blog. Para o blogspot. Mas com outra cara. E cheira-me que o melhor era esperar até cumprir o sonho, mas se eu própria não me aguento à espera disso, isto não se aguenta e, sei lá, nunca senti especial carinho do sapo por mim, foi mais sempre na base da ignorância. Quero sair daqui. Deste blog. Desta casa. Desta vida.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-29T21:22:50</issued>
    <title>I know St. Peter won't call my name #2</title>
    <published>2012-03-29T20:43:22Z</published>
    <updated>2012-03-29T20:43:22Z</updated>
    <category term="orquestra"/>
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    <category term="violino"/>
    <category term="workshops"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Acho que mais me vale agora parar com esta ideia de Workshops. Tenho azar crónico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Desculpem, dão-me o lugar que me deram e agora esperam que eu não esteja a sentir-me mal, ou pior, que toco mal, ou pior ainda, que sinta que fui usada? Esperam ainda que eu peça desculpas por estar assim? Prontos, eu sou má e não aceito nada disso, além de que depois disto eu não vou voltar a ter mais confiança. Aliás, eu não devia ter acreditado naquele discurso todo, parecia bom demais. Se foi uma lição para o futuro? Então não foi? Aprendi que simplesmente não vou ter direito a nada de muito bom, que tenho que aprender o que é a desilusão e que não devo ter mais confiança em ninguém.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Só era bom numa coisa, ao menos estava fora de casa, longe deste inferno de merda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mal me aguento para acabar esta treta de férias e voltar ao meu lugar habitual e adorado. Apenas.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-27T19:46:35</issued>
    <title>Karma</title>
    <published>2012-03-27T19:37:41Z</published>
    <updated>2012-03-27T19:37:41Z</updated>
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    <category term="azares"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Aquilo de há dias... conto-vos, deve ter sido o Prozac a falar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Porque hoje, depois de uma desilusão que quase me atirou para o chão, e de mais conversa que se calhar eu devia ter evitado, voltei a achar-me o maior traste que existe na cidade mais merdosa do país mais miserável do universo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Era suposto eu vir aqui fazer um post em que falava que me fartava das tais ditas actividades de orquestra que prometiam que as minhas férias fossem melhores. Não. Era suposto eu ser uma boa pessoa e ainda assim vir aqui falar que ri, e passei uma tarde fora de casa a tocar. Não sou capaz. As pessoas até agora têm-me visto com a imagem de rapariga boa, paciente, acertada, altruísta. Não sou. Portanto, eu fiquei como se tivesse levado porrada até descer... como chefe de naipe dos segundos violinos, quando as colegas melhorzinhas e com quem mais falava estão nos primeiros e eu estou limitada a aturar crianças. Abomino o lugar, abomino a parte de segundos daquelas músicas, abomino ter de estar a fazer harmonização em vez da melodia, detesto crianças. Eu não tenho capacidade de líder, nem capacidade pedagógica. Pelo amor do Karma, eu odeio crianças, eu não consigo dar-me com crianças, a não ser sendo tão falsa quanto uma boneca de plástico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Porquê? Porquê? O que é que eu fiz de mal para estar agora a levar com este mau karma todo? Bolas, eu já estou condenada a só sair deste buraco do mundo para Lisboa com muita sorte, porque não há como os meus pais me pagarem o curso, eu sei que muito provavelmente numa orquestra a sério não saio do último lugar dos segundos violinos, custava muito manter-me no lugar que eu já habitualmente ganhei? Ou vou ser despromovida muito em breve? Eu já não percebo nada, a única coisa que tenho feito é andar pela vontade, que até hoje me tem movido em frente. As coisas difíceis, por mais que eu choramingue, levam-me para a frente. A mal ou a bem, vou para a frente. Mas aquilo? Só me manda para trás, e cada vez mais para trás. Não sou capaz de ver o lado positivo disto. Não há lado positivo nisto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Lá está aquilo que receava sempre antes de uma coisa ainda melhor acontecer, o receio de cair. As quedas, aliadas à minha cabeça já nada segura, são catastróficas. Pensam que eu vejo isto com a mesma cabeça que eles, da mesma forma. Não. Eu vejo isto distorcido. Não devia, diz o psicólogo, não devia. Mas a verdade é que vejo. Não adianta nada todas as tentativas e pseudo-tentativas de tentar andar alegre com alguma coisa, mais dia menos dia gasta-se, evapora-se, regresso á realidade de pessoa mal amada e deslocada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A verdade é que agora tenho frustração. A verdade é que eu mais me valia ter ficado calada na minha. Não volto a falar com ninguém assim. A verdade é que volto para casa com a sensação que mais me valia ter ficado em casa a estudar do para lá ter ido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A verdade é que vou e vou calada.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-26T12:20:01</issued>
    <title>Is this real?</title>
    <published>2012-03-26T11:27:13Z</published>
    <updated>2012-03-26T11:27:13Z</updated>
    <category term="conservatório"/>
    <category term="eu"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="rudy"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Às vezes acordo e dou por mim a pensar, às vezes é mesmo quando eu estou de pé depois de alguma passagem e faço uma pausa para respirar e baixar o braço e o arco, isto é um sonho? Em relação à minha vida antes dos dezassete anos, é. Parece um sonho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Um sonho muito bom.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Apercebo-me que isto sou eu, finalmente encontrada. Que eu sou isto. Adoro isto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Não preciso de juntar todas as coincidências de números, nomes e amores para perceber que eu, já antes, sonhava comigo agora. Como se o universo estivesse todo a apontar para aqui. Não significa que seja fácil. Significa apenas que ainda não morri.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-23T01:16:43</issued>
    <title>Liszta da Páscoa</title>
    <published>2012-03-23T01:23:54Z</published>
    <updated>2012-03-23T01:23:54Z</updated>
    <category term="estudo"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="alergias"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   ~O de Falla é terrivelmente mauzinho. A juntar ao terceiro andamento, estou a prever umas pseudo-férias da Páscoa não muito animadoras. Não julgo que algum dia vá conseguir fazer isto. Prontos, o sonho foi bonito até eu agora me ter caído de cara nisto. É de tal ordem que eu fiquei paralisada a olhar aquelas duas, e creio que parte do estupor não me passou ainda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ~Por outro lado, estas férias tenho algo lá e pode ser que seja chegada a hora de varrer as memórias do maldito workshop para trás.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   ~Cinco... quatro... três... dois... um... ... ... ALERGIAS!  &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-19T21:14:34</issued>
    <title>Buon giorno</title>
    <published>2012-03-19T21:26:31Z</published>
    <updated>2012-03-19T21:26:31Z</updated>
    <category term="dias"/>
    <category term="pai"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Bom dia para o único homem que me atura, aceita, desaceita, diz que eu sou bonita, salta comigo no meio da casa, luta, faz caretas, ri, faz comentários à televisão, destila ironia e discute música comigo, além de outras coisas que venham no momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E agora com uma caneca só para ele. Lucky man.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-16T23:26:54</issued>
    <title>Demónios</title>
    <published>2012-03-17T02:16:40Z</published>
    <updated>2012-03-17T02:16:40Z</updated>
    <category term="basta!"/>
    <category term="família"/>
    <category term="pensamentos"/>
    <category term="desabafos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   A filha adolescente é um demónio. Não se controla, é a causa dos males de todos os dias, porque é uma inútil, porque não sabe falar, porque não dá valor às coisas, porque se esqueceu de uma coisa. Porque não acreditam que tenha mais em que pensar, porque não acreditam sequer que pense. Para quê, é só a filha adolescente. Elas só existem para aborrecer, reclamar, sujar, comer e mostrar o quão errado pode dar um projecto de criança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Pergunto-me porque os pensamentos são tão desvalorizados. Porque os dramas que temos são ninharias atiradas ao vento, rebatidas por algum argumento que justifique que a pessoa não tem nada que se queixar. Pessoa não, adolescente. A adolescente não é pessoa, é um antro de defeitos pessoais. Não sabe o que é o amor, não sabe o que é a vida, não sabe pelo que sofre, os seus sonhos são apenas devaneios. Vivem para gastar dinheiro. Vivem à lá gardére.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   São também uma coisa boa para troca. Ai a minha filha agora namora um bruto horroroso e responde-me mal. Ai, a minha não sai de casa, não larga os livros. A minha agora veste-se horrivelmente mal. E a minha? Agora decidiu-se num curso que não gosto, tira boas notas mas não quero. À mãe que apresentar o melhor problema dá-se um prémio, a consolação coma verdade unversal: as adolescentes são todas problemáticas que nada sabem da vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A adolescente já não pode com a mãe. Destrói-lhe o conforto do covil quando lhe dá na gana, porque são as soberanas daquele reino em cuecas, refila, vai dormir onde não deve, refila, acha que é a grande ditadora da moda, refila, afirma que sofreu como um mártir quando tinha aquela idade e a jovenzinha nem sabe o que é a vida, refila. Nunca nada está bem. A adolescente pode estar a fazer o maior esforço a estudar; se não for aquilo que a mãe quer, não faz nada nesta vida, só come e dorme. Pode estar a rebentar de vontade de chorar, até porque voltou àquela altura do mês. A cabeça muitas vezes dói com tantas ideias contraditórias dentro dela, e a insatisfação, uma grande insatisfação a tentar saber-se quem se é, e quem se vai ser.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Já pararam para perguntar à vossa adolescente se está bem onde está, hoje? Se a paixãzinha que dura há tempo é um tipo interessante e bonito? Qual é realmente a imagem que quer ter para o resto da vida, mas sem pressas, porque as ideias, até aos 18, mudam muito?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Vocês comigo fazem isso, porque eu já me resignei a ser uma monstrenga. Porque me tornei maluca, e teimei no violino. Mas com ela vocês não fazem isso. A ela não a destroem assim. Que eu já estou um bocadinho farta destas pessoas, que parece que nem nos querem considerar pessoas, que acham que estão muito correctas porque já passaram aquela fase, coisa que parece que não existe, morreu, foi enterrada. Vocês eram tão boas naquela idade, e nós tão malignas.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-14T23:44:08</issued>
    <title>Isto</title>
    <published>2012-03-15T00:54:32Z</published>
    <updated>2012-03-15T00:56:50Z</updated>
    <category term="tocar"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="composição"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Voltei a fazê-lo. Quando já julgava impossível, cá está de novo, pequeno, fraco, mas de novo. Pensava que tinha morrido de vez, e afinal não.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;    Tenho de controlar isto. Quando terminar o presente, paro. Era para ser esta, mas acho que gosto demais da coisa para mim do que para oferecer. Quando terminar o caderninho, paro mesmo, não há mais. Não pode haver mais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A coisa tem nome e tudo. Onde já chegou...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu tenho de parar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E apesar de as coisas até estarem a ir bem, eu temo que com a fraqueza de hoje por culpa de andar de roda daquilo, amanhã poderá ser um mau dia e lá estarei de coração partido. Espero que não. Porque aqui as coisas não me pareceram assim tão mal. No entanto o nervoso miudinho já anda a atacar de novo.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-12T00:12:34</issued>
    <title>E era uma vez uma Peter Infeld</title>
    <published>2012-03-12T00:46:02Z</published>
    <updated>2012-03-12T13:47:52Z</updated>
    <category term="cordas"/>
    <category term="violino"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Agora que a corda deu de si, posso finalmente falar. Durou um pouco mais que um mês, e tive mais uma vez a sorte de não me rebentar na cara (aquilo estava meio tom abaixo e a cravelha não se mexia, fora os estalinhos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   As cordas são boas. Mas não neste violino. Neste, não nos funcionaram. As cordas são boas, e caras, e eu tive uma má experiência com elas. Começando pelo dia em que foram postas e eu não era capaz de tocar duas notas seguidas, sei lá porquê, parecia que não tinha estudado durante meses e isso era mentira, ainda hoje não percebo o que é que se passou nesse dia, passando por dias em que estive mal e fui matar-me a estudar durante a noite porque se havia alguma coisa errada, era em mim. Depois a corda não soava bem. Culpa do arco. Culpa do violino que peca na lá. E eu sem saber bem para onde me virar. Até esta se partir. Agora está com uma Dominant. Começa por soar um bocado demais, mas ainda vai assentar. E parece-me que esta soa melhor, não sei se por ser nova, combinar mais, ou se o Monstro está com Síndrome de Corsa, agora que bem pode começar a desconfiar do seu destino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   As cordas são belíssimas, mas não neste violino. Só posso realmente gostar ou não quando voltar a experimentar, e num outro instrumento. Até lá, não penso voltar a usar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   No entanto, acho que vou pedir umas Evah Pirazzi pelo meu aniversário. Que também não são para este.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-09T23:57:23</issued>
    <title>Da viagem, do concerto e dos violinos</title>
    <published>2012-03-10T13:09:52Z</published>
    <updated>2012-03-10T13:09:52Z</updated>
    <category term="awesome"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="concertos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   A viagem variou entre a calma e o facto de eu ter ficado com dois ganforinos sentados atrás de mim cujo passatempo era brincar com os bancos da frente, nomeadamente, o meu. Mas foi calmo. Deu para conversar um bocado (se bem que, eu já quase faço inconscientemente de propósito não gostar de lugares atrás, ser das últimas a entrar, ficar mais à frente e evitar ficar com um dos miúdos, o que equivale a mim a sentar ao lado de um professor). Portanto, tive boa conversa, como poucas vezes tenho, o que me leva a pensar que além da dificuldade em conversar, eu estou mais propícia a conversar com mais velhos, e não com mais novos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O Museu da Música era pequeno, tímido, enfiado ao lado do metro debaixo do chão como quem está a fugir do olhar. Tinha uma daquelas trompetes com cabeça de serpente (que eu costumo dizer que são as trompetes de Slytherin), tinha um violoncelo Stradivarius e violinos Capela. Paraíso. Já em relação a souvenirs (e eu que não esturrasse dinheiro nessas merdas), só trouxe um íman com um violoncelo e um caderno, o íman foi mais por aquela coisa de eu coleccionar ímanes. Os souvenirs ou eram caros, ou não eram nada do que eu pretendia; não tinham nada com violinos, e o raio das canetas nem eram daquele museu, eram de um museu de arqueologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Porém, nunca lá tinha ido, aquilo é giro, fartámo-nos de rir à custa do serpentão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O concerto. Uma palavra: awesome. Eu estive para chorar, eu estive para me enfiar na cadeira, eu olhava para aquilo e bebia som e imagens e melodia. Acho que por mais que escreva não vou conseguir descrever aquilo. Foi a primeira vez que fui a um concerto assim, o máximo que tinha visto eram concertos da orquestra do Algarve, e eram coisa pequena. Aquilo... eu desejei que o tempo encalhasse e ficássemos eternamente ali, todos. Porém, doloroso. Aquilo é bom demais, e eu nunca vou conseguir lá chegar, nem aos calcanhares. Pelo que via, mais parecia que os tipos tocavam sem almofada, e eu acho que já não sou capaz disso. Além de um concerto inteiro para violino memorizado. A minha memória é um caos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Foi lindo, mas lindo que dói.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-03-08T21:03:38</issued>
    <title>Já deixei de saber quem sou</title>
    <published>2012-03-08T22:32:05Z</published>
    <updated>2012-03-08T22:32:05Z</updated>
    <category term="desabafos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Se eu antes me desesperava porque de um dia para outro ora mudava completamente de humor, ora me perdia e encontrava e me voltava a perder. Hoje é no mesmo dia e eu não aguento mais. Já nem sei o que me apetece, se abrir os meus pulsos dentro da banheira, se abrir a carótida a toda a gente à minha volta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Se não falo com ninguém porque sou uma misógina do caraças descontrolada, é porque não falo, e é problemático e o diabo a sete. Se falo, estou a falar demais, não devo confiar nas pessoas, olha vê lá recorda-te do que se passou com as tuas coleguinhas no secundário que ainda por cima foram as respomsáveis por te meter estas ideias na cabeça. Sim, porque uma miúda tão inteligente como és, obviamente que não foste tu que escolheste tirar o curso de violino para a vida, foram as tuas coleguinhas que te convenceram a isso além de te terem espetado facadas nas costas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Se não lhes digo o que quero ou o que gosto, não falo. Se digo alguma coisa a esse respeito, ou pior, faço, sou uma esbanjadora. Eu admito, já fui demasiado gastadora. Se calhar ainda sou. Não me resisto a chocolates. Dificilmente resisto ao ver um livro ou um cd, de quando em quando a coisa corre mal e lá gasto algum dinheiro. De quando em quando vejo roupas (pois é, e onde para a criança que dizia que nunca mais punha os pés numa loja de roupas tão depressa lhe fosse dada a oportunidade?). Gosto de algumas. 85% fica lá na loja para encontrar as mãos de outra dona, enquanto eu me forço a esquecer. Comprar, só em época de saldos. Quando era mais nova, comprava uma revista. Hoje já não. Quando digo que não me resisto a chocolates, falo de um nas audições, um em ocasiões especiais. Livros quando preciso de um. E esbanjo dinheiro. Estou a pagar as aulas que quero e esbanjo dinheiro. Evito ir a lojas. Esbanjo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   É por estas que eu prefiro não falar. Deixer de ser capaz de falar, deixei de ser capaz de respirar em casa e fora de casa. Em compensação, escrevo. Escrevo no caderninho, escrevo onde não devia, escrevo, escrevo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Não falar deu mau resultado. Dá mau resultado. Mas eu não consigo falar, quando parece que está tudo bem, descamba nalgum lado. Quando parece que eu vou a ganhar alguma confiança, há qualquer coisa que vem e a deita por terra. Porque não faz sentido, nada faz sentido. Não faz sentido que eu esteja aqui sentada ao computador e esteja a sentir medo. Mas medo de quê? Não sei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Hoje era para ter sido um bom dia. Boa aula, alguma boa esperança. Especialmente para &lt;em&gt;aquilo&lt;/em&gt; (que, contudo, só descanso mesmo quando estiver nas minhas mãos). Assim que chego cá, dá merda, dá treta. Ainda por cima, odeio quando dizem de mim uma coisa, e depois dizem outra, ou quando acham coisas de mim que eu sei perfeitamente que não sou. Já disse, odeio passar por estúpida.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:fantasmaviolinista:122024</id>
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    <issued>2012-03-06T23:30:47</issued>
    <title>A audição...</title>
    <published>2012-03-06T23:44:20Z</published>
    <updated>2012-03-06T23:44:20Z</updated>
    <category term="audições"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="nervos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Eu acho que foi grande merda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Enganei-me, o som foi grande treta, fiz de partitura porque a memória já tinha ido com os passarinhos quando ouvi a última nota da que estava a tocar antes de mim e me dá um nó no coração que só visto. Dizem-me que fui bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mas desta vez o meu pai foi lá e gravou. O que significa que eu já vi a gravação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E, pronto, tenho que dizer, apesar dos dois erros, a maioria até saíu, apesar do som ranhoso do violino as coisas até estavam. E é notável a evolução das últimas gravações, que deviam ser para aí do primeiro ano, para esta hoje. Prontos, tenho que admitir... eu até nem toco assim tão &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;mal&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   No entanto, ainda não é gravação que eu tenha orgulho em mostrar alguém. Não, para essa ainda tenho que fazer mais umas quantas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mas, não, foi horrível.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:fantasmaviolinista:121610</id>
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    <issued>2012-03-05T23:54:16</issued>
    <title>Estou a meio caminho de ser ainda mais estranha</title>
    <published>2012-03-06T00:26:56Z</published>
    <updated>2012-03-06T00:26:56Z</updated>
    <category term="coisas"/>
    <category term="filmes"/>
    <category term="violino"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   Depois de ver La Rabbia, estou viciada no Adagio de Albinoni. O pior é que de cada vez que o ouço, vejo as imagens de bombas nucleares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Para me tentar esquecer disso (e do programa de sábado sobre Nazis e Extraterrestres), resolvi andar a vagar na internet a ver sites com mil e trezentos acessórios para violino, tais como caixas em cores berrantes, saquinhos de seda (aka pijama de violino), arcos e mais umas quantas coisas bonitas, mais ou menos dispensáveis, para as quais não tenho orçamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Então, encontrei uma notícia que diz que um japonês começou a fazer cordas para violino feitas a partir de teias de aranha. Milhares de fios enrolados daqueles fiozinhos horripilantes que às vezes se vêm por aí.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O meu cérebro bloqueou e eu só consigo pensar "Nhérrg, que nojo."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Por outro lado podia fabricar as minhas próprias cordas em casa. Porque, muito engraçado, eu tenho pavor de aranhas e o lugar onde me metem a tocar está cheio delas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Ai, amanhã... e de cor ainda por cima... uma aposta em como me vou espalhar à grande.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:fantasmaviolinista:121583</id>
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    <issued>2012-03-01T23:37:58</issued>
    <title>Hoje...</title>
    <published>2012-03-01T23:47:48Z</published>
    <updated>2012-03-01T23:47:48Z</updated>
    <category term="alegrias"/>
    <category term="violino"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   ...podia ser um dia perfeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Tudo bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mesmo que o arco tenha dado de si, o que num arco com três anos de uso e o epíteto "Corcundinha" não é de estranhar. Bom, porque ao menos, espero eu, que me deixe de andar stressada com barulhos que não era suposto estar a ouvir. Não era totalmente culpa minha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Não gosto lá muito deste arco que tenho agora...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mas, sim, hoje foi um dia perfeito. Acho que sim. É tão simples estar bem e feliz como estive, e ainda assim, tão complicado. Simplesmente eu, o que eu mais gosto e os meus pequenos prazeres. Só isso. Sem pressões de outros lado, sem pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Deixem estar que daqui a três dias já me passo dos carris com a audição.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <issued>2012-02-28T20:10:31</issued>
    <title>Dilemas do Aprendiz de Violino #2</title>
    <published>2012-02-28T20:27:52Z</published>
    <updated>2012-02-28T20:27:52Z</updated>
    <category term="problemas"/>
    <category term="violino"/>
    <category term="otites"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   O primeiro grande horror é perder o violino. Estando o instrumento em perfeitas condições e seguro, o segundo grande medo é reservado a todos os problemas que possam acontecer aos braços e às mãos (digamos que sim, partir um braço é muito complicado e já vi uma rapariga ter de desistir de ir às aulas de violino por causa de ter uma doença nos ossos que os fazia muito frágeis e partiu precisamente um braço).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O terceiro problema: otites.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Porquê? Não tive já otites suficientes quando era uma criancinha (era uma todas as semanas)? Porque estou eu agora às voltas com dores nos ouvidos e a possibilidade de ainda me vir a rebentar um? Caramba. Odeio isto. Odeio otites. Porque é que eu tenho otites? Parece que nem oiço decentemente.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:fantasmaviolinista:121066</id>
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    <issued>2012-02-25T22:45:10</issued>
    <title>Outside the Wall</title>
    <published>2012-02-25T22:51:16Z</published>
    <updated>2012-02-25T22:51:16Z</updated>
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    <category term="crise existencial"/>
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    <category term="violino"/>
    <category term="depressão"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;   É nos piores momentos da vida que se vêem as pequenas coisas que afinal fazem toda a diferença. É aí que se põe à prova a força de uma pessoa, ou se é determinação, paixão, ou apenas um capricho. Lembro-me de ter dito, no início deste blog, no início desta sanha, que eu só aprendo o que a vida resolve ensinar-me à bruta. Que o humano comum só vive aprendendo da maneira mais difícil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu estive mal. Mesmo quando pensava que não me estava a afectar em nada, já se notavam os efeitos de tudo. De todas as metáforas que posso arranjar e escrever sobre isso (tenho um caderno cheio delas), escolho duas: afundei-me no meu próprio mar e, sem dar por isso, deixei de respirar; a outra é tão e simplesmente The Wall. Inadvertidamente fiz o mesmo processo que o albúm inteiro mostra. Fechei-me na minha própria parede depois de ter tido maus amigos no secundário, e outros tantos algures espalhados. Fiquei desconfiada das pessoas, e como tal, comecei a engolir para dentro. Chega a uma altura em que vomito, e vomito sempre em ataques descontrolados, desesperados. Comecei a achar que em relação a tantos outros, eu era inferior. Mesmo que tirasse boas notas nos testes, eu começava a fazer aquilo sem grande interesse, passava as aulas a escrever histórias paralelas, a desenhar nos cantos das folhas. Numa altura em que mudei de atitude em relação a isso, em que descobri que havia mais mundo que eu gostava de explorar, experimentar, veio a confusão. Nunca contei a ninguém, mas eu adorava ver-me tocar reflectida no vidro, numa altura em que os meus pais não gostaram da mudança, e tentaram o tudo por tudo para que eu voltasse a ser aquilo que esperavam que eu fosse. Ouvi muitas coisas. Muitas coisas que eu julgava que os meus pais não me iam dizer. Hoje posso dizer que compreendo o lado deles e o que eles fizeram, mas não a maneira como o fizeram. Estou vacinada por um pai que por vezes diz ser mauzinho. Não fez de mim propriamente uma pessoa fácil ou muito aberta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   O psicólogo farta-se de dizer, e com alguma razão, que eu sou uma pessoa fora do mainstream. Uma pessoa naturalmente triste, taciturna, e fechada. Raramente falo, e como tenho uma personalidade difícil e gostos difíceis, vai-me custar a encontrar alguém a quem eu possa chamar amigo chegado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Deixei-me ficar sozinha. Meti na cabeça que merecia ficar sozinha, que não valia a pena ir-me queixar de nada da minha vida, que não era minimamente interessante para ninguém. Engoli. Engoli. Engoli até não poder mais. Sem ninguém para desabafar, comecei a inundar o blog com isto. Quando já não foi suficiente, quando eu já fui ao fundo mais do que uma vez, achei que a solução seria acabar comigo de uma vez. Tentei uma forma fraca de suicídio. Neste momento, fico maldisposta com isso. Resolvi, na noite, engolir sete comprimidos de uma vez, contando que fosse um a mais que aquilo que eu achava que seria a overdose. Por fracasso meu, ou sorte, passei a noite e no dia seguinte acordei; ganzada, com a cabeça a rodar, meio zombie, a ver imagens em slowmotion, mas acordei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Diz o psiquiatra que eu sou mais forte do que pareço e acho. Ainda assim, aumentou a dosagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Fazia-me falta uma boa conversa. Só isso. Uma raio de luz. Depois daquele lento acordar depois de uma noite negra em que me apercebi, sobretudo, que comecei a perder até o que me fazia viver para alguma coisa, e tive medo. Não tinha a quem vomitar isto tudo sem problemas. Passei uma semana aterrorizada com isso tudo, e por me sentir sozinha. Dentro da Wall, ou alguém partia aquilo, ou eu já não tinha forças para dar cabo da coisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Felizmente, para minha grande sorte, ainda tenho pessoas do meu lado. Daquelas que me fazem chorar no bom sentido. Daquelas que me monstram que afinal não sou um ser horrendo. Tenho os meus defeitos. Daquelas com quem eu sei que gosto de conversar, só preciso de perder o medo de falar. Deixar que os outros conquistem a confiança que lhes foi negada por causa das atitudes que jovens da minha idade tiveram comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;    Readquirir a confiança de mim mesma, a mesma que que perdi quando ouvi de todos os lados que era uma cadela feiosa e que era uma merda inútil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Se a conversa resolveu os problemas que cá estão? Não. Eles vão continuar porque por enquanto ainda são demasiado reais, terrenos. Não é depois de palavras que eu deixo de ter de ir para uma arrecadação, isolada do resto, para poder tocar e ainda ter sorte porque ainda tenho isto; a alternativa seria não tocar. Não é depois de palavras que a minha mãe me começa a tratar melhor e a deixar de tentar interferir no meu estilo a toda a hora. Não é depois de palavras que eu tenho dinheiro para assegurar isto tudo. Não tenho e isto cada vez está mais preto, eis o dilema da classe média, que não é pobre o suficiente para ficar a viver de rendimentos, e é tudo menos abastada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Mas que depois disto tudo eu estarei melhor... possivelmente sim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Até porque há coisas que eu não quero perder, ainda. Porque há coisas pelas quais ainda vale a pena estar aqui. E, porque eventualmente, ainda quero abestalhar um pouco mais sobre a humanidade, provar a umas quantas pessoas que estavam erradas, e claro que quero mãos de amigos para superar isto. Porque eu também já não sinto bem estando tão oprimida.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-23T19:33:50</issued>
    <title>Estou numa crise existencial</title>
    <published>2012-02-23T20:18:11Z</published>
    <updated>2012-02-23T20:18:11Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;   Estou numa crise existencial absurda e estúpida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Eu acho-me uma merda. Ponto. As pessoas dizem-me que eu tenho de ter confiança nelas e em mim mesma, e eu não tenho, é escusado, eu não consigo tê-la nem ir arranjá-la a lado nenhum. Eu já não acredito nas pessoas quando dizem que gostam de mim, é mentira. Comecei praticamente a tocar violino durante todas as horas possíveis, não as conto, deito-me tarde. Eu gosto de estudar isto, a sério que gosto. Mas começo-me a frustar quando parece que já não é suficiente, eu já não sou suficiente. Está, pormenores, tenho de os ver (a verdade é que eu vou para lá com nervos, com medo, com eu sei lá o quê, e só de achar que vai sair mal as coisas vão sair sempre a medo), está bem, afinação é e sempre será um problema, assim como bem sei que falho no tempo, na dinâmica...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Porra, eu alguma vez toquei bem alguma coisa? Não. Não acho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Ensaio de piano mais o teste. Visão que eu tenho de tudo? Fui uma merda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Já nem me lembro se me foram ditas coisas boas de mim. Já nunca me lembro. Só me lembro sempre de estar à baixar a cabeça de vergonha à frente de uma pessoa de quem escondo que gosto, que me aponta erros, erros, erros, que eu sei que é alguém muito superior a mim e nem precisa de se esforçar nada para isso, de quem tenho inveja, e respeito, e estima, e que tenho medo que tenha... o quê? Nojo de mim? Já o deve ter. Raiva? Muita. Vai-me baixar a nota e mudar de ideias a respeito de alguma vez conseguir ser alguma coisa, tipo, violinista? Mais que certamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E agora adivinhem quem é que se vai espalhar com o Kabalevsky numa audição muito em breve.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Já não sei o que me fazer, eu não sirvo para nada, vou acabar velha miserável e sozinha debaixo da ponte. Triste. Acho que devo ter atingido um dos meus pontos mais baixos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Também já não vale a pena andar a esconder isto, já que tenho para aqui como visitantes umas 10 ou mais pessoas da minha cidade. Que eu até acho que consigo adivinhar quem são.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Fique a saber sua excelência que podia resolver muitos dos meus problemas se simplesmente conversasse comigo. Eu nem sequer sou capaz de falar muito alto na sua presença, e tenho mais medo do que o que possam eventualmente ter de mim. Ainda por cima, uma pessoa que tem a sorte de eu gostar. Posso ser tosca, fraca em demonstrações disso, mas quando gosto de alguém, gosto e pronto, não gosto é quando eu tenho que andar calada por muito tempo e a sentir que sou ignorada e chutada para o canto como se fosse lixo.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-22T19:30:37</issued>
    <title>Eu e os outros #2</title>
    <published>2012-02-22T20:12:46Z</published>
    <updated>2012-02-22T20:12:46Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;   Sou uma grande trampa a nível social. Reconheço isso quando admito plenamente que não percebi o smile que ele me meteu na resposta. Eu sei que escrevi de uma forma a que não estão muito habituados (aquela forma ligeira, um tanto mais leve para esconder o que realmente por aqui anda, e, como eu já sei que não consigo evitar por mais que tente, ironia lá presente, lá e em tudo o que escrevo).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Não percebo smiles. Não percebo aquilo. Era suposto ele nem me mandar smiles. Aquele smile significa o quê? Ironia para a minha pessoa? Ah ah, perdeste? Tenho-te na mão, controlo a tua mente? Estou contente? Estou a fingir que estou contente?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   I'm puzzled.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E a falta de skills para me portar bem socialmente com pessoas manifesta-se em grande.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   E amanhã vai dar-me o fanico. Porque isto está muito engraçado, ora está afinado, ora está completamente desafinado.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-21T19:58:51</issued>
    <title>Carnaval</title>
    <published>2012-02-21T20:15:05Z</published>
    <updated>2012-02-22T00:40:20Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;   Ponho a máscara de porcelana fina na minha cara. Lá fora, a noite está reflectida nas águas calmas dos canais. Inundei esta cidade com água escura, e arrastei gôndolas para aqui, para ver se desta feita fica mais bonita, mais festiva... porque está cada vez mais cinzenta. Esta cidade oprime-me. Quero fugir dela. Quero regressar a ela, ao que me lembrava dela. Há quanto tempo foi?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A porcelana está fria na minha pele, mas não importa. Nem está frio, está calor. O fato negro modela-me o corpo contra o céu, cada vez mais escuro também. Tenho os olhos verdes de fora, não precisando deles. As imagens ficam desaceleradas, enegrecidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Limitei-me a ficar de pé a tocar um violino que não é meu, com uma máscara nobre de porcelana branca, de roupa negra e um chapéu de três bicos. Foi só o que fiz. Não sei de onde veio a água, de onde vieram as gôndolas que nela vogam. Sei que numa delas estás tu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Numa delas, tocas tu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   A minha máscara tem um sorriso de paródia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Hoje pensei numa música nova.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-18T23:26:57</issued>
    <title>Filosofias da treta #1</title>
    <published>2012-02-18T23:58:50Z</published>
    <updated>2012-02-18T23:58:50Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;   Mas que na minha cabeça fazem um sentido tremendo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Há pessoas que faziam melhor em deixar de comentar os vícios dos outros, as opções dos outros, o aspecto dos outros. A sério, vocês ganhavam mais com isso. Querem pensar mal, pensem, mas guardem para vocês ou arranjem um blog de língua de cobra mas anónimo. Porra, eu sei que não sou uma pessoa muito boa, e que tenho pensamentos sobre a humanidade e a cultura que a maioria de vós considerar-me-iam louca. Não escondo. Sanidade mental não é o meu ponto forte. O meu ponto forte é deixar-me estar calada na maioria das vezes (depois há as vezes em que digo a verdade e a coisa descamba porque ninguém gosta).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Escusam de tentar perceber quem eu sou. Vocês não sabem da minha vida, não viveram o mesmo que eu vivi. Logo aí, estão longe de poder fazer qualquer juízo a meu respeito. Ainda permito a algumas pessoas que sei que sabem sobre mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Há pessoas que acham que sabem quem eu sou. Lamento desiludir-vos, mas não, vocês não sabem quem eu sou. E a maior prova disso é que raramente querem conversar comigo, mas falam muito bem com outros, mandam pessoas mandar-me recadinhos, dizem uma coisa e fazem outra, quebram promessas... e vêem-me dizer, não, não te odeio, sou teu amigo, sou simpático com toda a gente. Quem faz isto e diz isto é um mentiroso de primeira quando ao fim de três anos a sensação com que eu continuo é a de que eu simplesmente podia desaparecer-lhes da frente que nem se ralavam. Porque agora acho mentira que alguma vez me tenham ligado, ou que tenham ficado sentidos com a minha falta nalgum dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Sou uma espécie de fantasma. Consigo, quis evitar isso. Tentei. Logo desde o início, queria ser simpática, prestativa, boa pessoa. Porquê? Porque eu fui genuína desde o início, olhe, estou aqui, esta sou eu, sou uma pessoa de baixa confiança e baixas espectativas, frágil, eternamente a dar para o triste, quero isto e vamos em frente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Agora, ao fim de tempos a passar ao lado como se fosse ar, ter de falar de coisas que era suposto falar consigo com outras pessoas, só a ser reparada e ter alguma atenção quando faço merda, noutras alturas é como se eu nem lá estivesse presente, assim começo a não gostar disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Olhe, eu hoje estava uma merda. Estava devastada. Porquê? Porque a panelinha organizou uma coisa que eu até gostava, imenso, uma das coisas que cobiço de há dois anos para cá. Mas, efectivamente, estou excluída, ou assim penso, quisesse eu ou não, ignorada por vossas graças que tiveram tal brilhante ideia a tal preço que, não, não há possibilidade de o podermos despachar naquilo. E as pessoas não percebem porquê? Eu, às vezes, também não percebo. Hoje percebo porfeitamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   Todos, ou quase todos, repararam. Uns quantos ainda comentaram, exercitando a minha capacidade de mentir com um "não se passa nada". Mas para si, tanto lhe fez.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   &lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;O meu eu vingativo, que é o que me falta eliminar para antigir o hippie, isso e o preto, espera que tal como eu vou amargar em casa a imaginar o quanto me podia ter divertido e o quanto lhe podia ter olhado para as costas, espera agora que se é assim tão verdade que gosta de mim, então que amargue também por eu aí não estar porque em minuto algum, alguma vez, me deu ouvidos. Ou sequer me quis conhecer ou ajudar. Agora já vem tarde. Não quero ajuda sua, não quero contrair mais dívidas consigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;   Assim, tenho para mim que realmente a melhor filosofia de vida é a do desprendimento moderado das pessoas. Ninguém se magoa. E façam-me o favor de guardar as pedras em casa, que dão jeito para fazer sopa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;   E se eu quero ser violinista, o que é que meio mundo tem a ver com isso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content>
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