Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
13 de Janeiro de 2012

   "Na sexta-feira, treze de Janeiro..."

 

   E desta vez é mesmo sexta-feira 13.

 

   Este blog é uma parte significativa de mim. Não pelos pouquíssimos comentários que tenho, ou da sua fraquíssima qualidade que nunca fez dele ponto de referência para ninguém, nem nunca mereceu destaque. Porque desde aquele 13 de Janeiro, que este blog tem sido uma extensão de mim, da minha alma e consciência, para o bem ou para o mal. Em dias menos bons, venho aqui. Em dias bons, também. Já cá apanharam as minhas mágoas, as minhas felicidades, os meus rasgos meio geniais e as ideias não tão boas assim.

   Ainda me lembro, como se fosse ontem, do dia que precedeu a abertura deste blog, e que praticamente foi o estopim para o criar. Parecia um dia normal. Tinha uma das minhas aulas no conservatório, no primeiro ano em que lá estive, e apanhei uma das maiores vergonhas da minha vida lá, que foi o telemóvel tocar a meio da aula. O toque (ainda hoje é o mesmo telemóvel e o mesmo toque) era, muito originalmente, o Capricho nº13 de Paganini. O professor de violino aproveitou para comentar, tocar, e brincar com a situação. Sim, senhora, excelente toque de telemóvel.

   Nesse Natal tinha visto o Fantasma da Ópera.

   Ainda hoje me vejo assim, como um fantasma da orquestra. Nessa altura, estava a dar os meus primeiros passos na orquestra, hesitante, e sentia-me assim: apagada num grupo que se conhecia muito bem e no qual eu era a estranha, a pessoa à parte, ao fundo, na sombra. Hoje as coisas não estão muito diferentes. Sinto-me mais separada, mais de lado. Mantenho conversas algo amigáveis com algumas pessoas, incluindo uma das violoncelistas, respeito toda a gente, lá está, mantenho-me simpática para todos. No entanto, continuo a afastar-me, a sentir-me distante. A faltar a almoços de convívio, a desaparecer de concertos.

   Não deixo de ser um fantasma.

 

   Não deixo este blog, por nada. Criei o hábito de cá vir, hábito que não largo. Já experimentei outros blogs, ir para outras plataformas, tentar apagar este e as suas más recordações. Não consigo. Não são só as más recordações, mas as boas, o que eu já escrevi, o que eu já vivi. Este blog sou eu, sou eu reflectida nestas páginas, eu com todos os meus defeitos e as minhas poucas virtudes. Eu e o meu violino. Como tal, é um blog fantasma, um blog sinistro, de ideias diversas e em conflito, de embirrações, coisas que me saem dos dedos para fora e nem deviam. A minha música favorita ecoa aqui.

   Este blog começou com uma rapariga triste de dezassete anos, um violino, um telemóvel com o Capricho nº 13 de Paganini, o medo e a busca do talento, um interesse estranho e obscuro numa pessoa que ainda hoje admiro, um carinho absurdo para com o pai e a infância, uns quantos pontapés à sociedade e à humanidade em geral, para além de uns quantos textos. Conta com 382 posts (383 com este) e 153 comentários (thank you!).

   Este blog seguirá com uma jovem de dezanove anos, o seu violino que foi batizado Monstro, o telemóvel com o Capricho nº 13 de Paganini cuja bateria está uma inválida e tem de ser carregado de dois em dois dias, o seu medo avassalador e a sua busca incessante pelo talento e perfeição, o melhor pai que me poderia calhar, uma infância cada vez mais distante mas sempre recordada, e ainda a sua admiração pela mesma pessoa, sempre aquele interesse velado e que dói. Muitos mais pontapés à sociedade e à humanidade em geral, e de quando em quando, uns textos e contos que escrevo nas margens das folhas. A minha imaginação continua. A tristeza do meu cérebro também. Os rasgos de felicidade que o violino me traz, idem.

 

   Há hoje um conto de surpresa, postado mais logo. No dia 24, começo a rúbrica periódica deste ano. Lamento não fazer uma festa maior, eu tentei, mas o ânimo aí desse lado, leitor, foi tanto, tanto...

 

   A mais um ano de blog da Violinista. Ergam os copos de Zubrowka. Brindemos a isto, que é o primeiro blog que tenho com uma vida tão longa, e esperemos que o único.

  

Orquestrado por Violinista às 07:57
No momento, estou: Este estaminé faz anos, bebam.
Música do momento: Tubular Bells em orquestra - Mike Oldfield
15 de Dezembro de 2011

   Uma vez disseram-me que o meu riso era o da criança que o meu pai fora. Olha para ela, ri-se exactamente como ele, lembras-te? Uma professora, antiga colega dele, também o reviu nos meus olhos de cor incerta (mistura da mãe e do pai, mistura do castanho e do verde), no meu estar. Ao que parece, em crianças podíamos ter sido muito semelhantes. Fomos calmos, e não demasiado extrovertidos ou efusiásticos. Inteligentes, arriscaria até, muito. Gostamos de ler, de pesquisar. Temos um certo jeito para inventar soluções práticas e caseiras, pequenos trabalhos manuais que metem uma pequena invençãozinha pelo meio. A nossa noção de divertimento ao jantar envolve ligar o Canal História ou o Discovery e ficar a ver, às vezes comentar. Eu, que disse muitas vezes para mim mesma que nunca na vida ia ouvir os comentadores que ele via, já adquiri parte desse hábito. O gosto musical é quase o mesmo. É ele que descobre os Hagard, os Therion, depois de eu levar para casa uma cultura mais alternativa agarrada aos primeiros estudos de violino. Sei, no entanto, que ele prefere violoncelo (e é de natureza dos violoncelos implicar com os violinos, ou não é assim o cliché?).

   Hoje sentamo-nos ao lado um do outro. Muitas vezes, é o silêncio que impera sobre nós, porque já não sabemos o que dizer, porque quando fomos dois barcos à deriva não soubemos fazer nada para nos aproximar outra vez. Quando falamos, há dias, alguns dias, em que é fácil manter uma conversa agradável. É um tipo de conversa que não tenho com mais ninguém: uma conversa inteligente, em que debatemos conhecimentos, falamos das coisas como dois apaixonados pelo assunto. Não consigo ter essa conversa com mais ninguém, não tenho confiança de a fazer, não tenho como a fazer. O que é estranho, diz ele.

   Diz ser a pessoa mais fria e cínica da cidade. Liga a televisão e é capaz de tecer todo o género de piadolas e comentários maldosos que me fazem rir. Peguei-lhe um bocado o jeito: somos as duas pessoas mais horríveis para se ter ao lado a ver televisão. Ou em qualquer outra ocasião em que seja possível usarmos o sarcasmo puro e duro. Embora eu não seja tão má; sou apenas uma versão mais fraca que ele.

   Tenho plena noção que não seria quem sou hoje sem ele. Não se contasse só com a parte da minha mãe.

   Aquilo que eu ouço, que eu conheço, foi mais porque ele me mostrou as coisas em dada altura. Aquilo que sei, foi, na sua maioria, porque ele me ensinou. Que mais não seja, ensinou-me a ir procurar, a ler, a duvidar do que leio e questionar, a dar opinião válida. Tenho brinquedos que são dele, coisas que foram dele e que passaram para as minhas mãos. Ele não vê grande problema nisso: sabe que eu, desde criança, tenho cuidado com as coisas, e sabe os riscos que corre em deixar o velho compasso comigo são mínimos (ao contrário do meu irmão).

 

   Há, no entanto, coisas que não sei. Não sei, ao certo, como foi a sua juventude, depois da infância, da escola. Não sei onde foi que ele se perdeu, em parte, não sei que fantasmas estão lá na sua cabeça. Mas sei-os, sinto-lhes a presença. Não sei como me atura, não sei como não me acha estúpida de todo. Não sei como se apaixonou e se juntou com a minha mãe. É um mistério.

 

   Talvez ele tenha razão quando diz que não foi um bom pai. Criou-me, uma cópia falhada dele. Gosto dele como pai, mas admito que talvez a sociedade que dita as fortes regras de pai e filhos não goste. Não sei. E não pretendo ser mãe. Talvez, se ele não pretendesse ser pai, as coisas fossem mais simples. Eu, por exemplo, não seria eu.

 

   Perdia a indentidade dele, pai, perdia este dia, perdia esta vida. É uma pena. Continua a ser das coisas que pode magoar o quanto me magoar, mas não quereria perder.

Orquestrado por Violinista às 09:19
No momento, estou: Neste momento, não sei
Música do momento: Sheherazade - Rimsky-Korsakov
Palavras soltas: , , ,
27 de Outubro de 2011

   E como é da praxe, Feliz Aniversário Niccolò Paganini.

 

Orquestrado por Violinista às 19:13
No momento, estou: Ergue o copo de vinho
Música do momento: Carnaval de Veneza - Paganini
Palavras soltas: , , ,
29 de Maio de 2011

   Era um dia chuvoso, de tempestades de Maio, já quase no final do mês. Parecia ser um dia como tantos outros, tranquilo, que em nada recordava a estreia da Sagração da Primavera. Para o jovem casal, parecia um dia como os outros. Ela, com uma barriga grande, não podia deixar de agradar aos céus que a criança passasse bem quando adoecera, e sobretudo que não acontecesse o mesmo de novo. Já tinham sido devastados uma vez. Não queriam repetir a experiência. As enfermeiras gracejavam... tem um bichinho forte aí dentro, hãn? Era 29 de Maio.

   Seria nesse dia que a criança nascia.

   O pai babado saiu para comprar o primeiro brinquedo da criatura, afinal menininha, além de outras coisas ditas necessárias, e primando pela originalidade, escolheu uma roca com um porquinho de borracha. No entanto, descobriram que a menina não tolerava chupetas nem a torto nem a direito, tendo nelas o mesmo efeito que uma garrafa de champanhe tem na rolha. Não duravam segundos na boca. Nem as anatómicas e caras como tudo.

   Nasceu com olhos muito escuros, e muito cabelo, sendo automaticamente denominada punk, pelo pseudo-moicano espetado no cocuruto da cabeça. Foi baptizada, porque os pais lá nisso tinham concordado da criança ser cristã, e apadrinhada pela irmã preferida da mãe, e pelo afilhado do pai, autor do gracejo punk e ainda novito. Ainda hoje a relação padrinho-afilhada é das melhorzitas da família, e seriam só quinze anos mais tarde que ela conseguiria, da parte dele, uma madrinha húngara.

   A criança cresceu numa casa pequena no interior de uma cidade típica alentejana e portuguesa. Gostava de dançar ao som das músicas que os pais punham na aparelhagem, habituou-se a crescer de perto com Pink Floyd. Gostava de caixinhas de música, eram tão bonitas que chorava a ouvi-las. Por vezes ia ao emprego do pai e ficava lá a desenhar. À noite, obrigava o pai a escrever as histórias que narrava. Gostava de livros. Esse gosto manteve-se com ela, assim como o estranho gosto da música que a fazia recordar algumas e determinadas músicas, sem lhe saber o nome, por muitos e longos anos. A música de uma viagem até à casa da prima distante com um teclado que gostava de ver, Colours do Phill Collins. A música do filme com o Submarino Amarelo, Eleanor Rigby. A música dos sinos dos Pink Floyd, High Hopes. Aquela música que passava na rádio nas férias, Music Was My First Love, as únicas músicas em português, O Pastor, A Vaca de Fogo. Os cisnes e a dor, O Lago dos Cisnes. A fonte da escola a jorrar luminosidade líquida e colorida, Bolero.

   Ah, o Jardim Zoológico de Lisboa. A Expo 98, o Gil. Os Patinhos. A entrada do Euro e a peça de teatro, o Hino à Alegria. A febre dos Tamagotchi, ir para a escola com uma máquina de Tétris cinza para fazer inveja aos colegas de Game Boy Color (ainda funciona quando ela lhe mete pilhas e a liga, e os acordes de fim de jogo estão cravados na memória). Batatoon. Samurai X e Sailor Moon e Digimon e Pokemon. Os primeiros livros. O Romance da Raposa, a Salta Pocinhas, raposeta pintalegreta senhora de muita treta. O relógio de pêndulo sempre ao lado do quarto. As brincadeiras com o cesto das molas metido pela cabeça como uma cartola e as molas em camadas de cores, primeiro o verde, depois o amarelo, o azul e o vermelho.

   Os amigos imaginários. O boneco de fato do bolo de casamento com olhos redondos, a pantera jibóia, o pato negro. A Ringo, a Cassidy.

   Tinha boas notas, era esperta. Mas muito tímida, e um bocado chorona. O professor da primária chamava a um pequeno e selecto grupo da turma, do qual ela fazia parte, os extraterrestres. E ela fazia parte de um outro grupo, misto de rapazes e raparigas, que brincava com os brindes dos ovos Kinder em casinhas feitas de pedras, paus e folhas. Aprendeu a nadar na grande escola de natação da cidade porque todos lá andavam, mas nunca teve aulas de equitação. Teve uma dálmata que morreu dois anos depois, e soube o que era a morte.

   Aos 13 anos, mudou para uma escola que não gostou, com pessoas que não gostava, a cadela morreu, exigia a si mesma boas notas, começou a mudar, deixou de receber brinquedos, ganhou um irmão. Perdeu-se, ou talvez andasse desde sempre perdida, à deriva. Não sabia muito bem o que queria porque tudo servia, desde que houvesse um sorriso na cara do pai.

   Nos corredores da escola, levou um chapadão do Mozart aproveitado pelos Evanescence.

   Aos 16 começou a deitar algumas coisas para trás das costas. Algumas pessoas finalmente ouviram as respostas que mereciam. Outras, muitas, ainda ficaram na sua, ou partiram para outro lado sem nenhum vínculo, ou foram particularmente dolorosas.

   A jovem começou a trilhar um caminho árduo, sem volta, tardio. Cabelos curtos, castanhos, escuros, com sina assinada para serem pintados à mínima oportunidade, olhos castanhos claros atrás de óculos, talvez algo de dourado, talvez algo de desconhecido. Ainda hoje é ligeiramente andrógina, e primando por calças e fatos masculinos, ou algumas blusas um tanto largas, pior ainda. Uma mala preta coçada de um Stagg às costas. É uma pessoa calada, pensativa, mas capaz de amabilidade. Respeita. Não admite, mas tem um amor exacerbado às pessoas e elas não sabem. Guarda as coisas para si, as boas e as más.

   E ainda chora a ouvir algumas partes da música. Agora prefere tentar fazê-las no violino até ficarem iguais na cabeça dela, até se perder naquilo que acha belo. Gosta de o ouvir, mas acha-se ruim. Gosta de quem o domina e o torna parte de si. Gosta do cheiro a resina na madeira, do seu corpo.

 

   Sabem? Continuo a lembrar-me de músicas da minha infância na perfeição, com cenas nelas embutidas. Cenas sem nexo de uma criança sorridente que às vezes, às vezes, sou. Cenas de um passado próximo e distante, de um Portugal diferente. De eu diferente.

 

   Happy Birthday Danny Elfman.

   Parabéns, Stradivaria, raposeta pintalegreta senhora de muita treta, saltarica sonhadora, pseudo-violinista.

Orquestrado por Violinista às 13:55
No momento, estou: Encolho os ombros
Música do momento: Verdes anos - Carlos Paredes
07 de Maio de 2011

   Eu supostamente terei muito para dizer agora. Afinal, li uma biografia do Tchaikovsky (a do Jeremy Siepmann, aquela que fiz uma viagem enorme para comprar com uma prima minha que depois me disse que podia ter comprado em vez de Indignação e que há uns dias vi numa montra de uma livraria aqui, bem como todos os livros que tenho sobre música). Porém, resumir de cabeça um livro que já li há algum tempo e debitar para aqui passagens do mesmo não me está a agradar muito.

   Há, porém, uma passagem...

   Tchaikovsky, quando novo, ouvia música. Segundo o relato de uma ama, que lhe era extremamente próxima, ele terá um dia chorado, porque uma música maravilhosa não lhe saía da cabeça. E a ler isto, lembrei-me das minhas reacções ao Lago dos Cisnes e, mais tarde, à Abertura de Romeu e Julieta.

   Sim, é verdade que estando no período romântico, e sendo russo, as suas músicas sejam um turbilhão de emoções, pura dor, puro amor. Pura emoção. Também se sabe que ele próprio era um homem sentimental, com os seus muito altos e muito baixos. Com um casamento falhado que lhe deu ódio à mulher que tinha, mas com a imagem doce que guardava da sua mecenas e companheira de cartas, com os seus sentimentos por vezes contraditórios. Era russo de caractér, e mais valioso que os que o criticavam empoleirados no seu pedestal alto. Uma morte sinistra envolta em mistério ainda não resolvido. Ele tinha tudo isto, e vivia e respirava música. Incompreendido, até mesmo hoje.

   Uma nota mais engraçada é a reacção de Tchaikovsky a alguns compositores do seu tempo, e mais antigos. Achava que Bach estava sobrevalorizado, Beethoven só tinha de bom os seus dois primeiros períodos e no último só lampejos, Handel era "tão vulgar que nem interessante chega a ser", Wagner uma salganhada musicalmente confusa. E simplesmente abominava Brahms. Chamava-lhe crápula, sacana sem talento e "caos de tripa seca completamente vazia". Porém, num da irónico, conheceu Brahms... e o homem como homem era totalmente o oposto do que a sua aversão fazia crer.

   Tchaikosvky também mudava muito de opinião e de lados. Como convulsionado pela sensibilidade que possuía.

  

   Ah, sim, o ano passado prometi, este ano aqui incluo uma coisa muito bonita que é o Heifetz a tocar o primeiro movimento do concerto para violino do Tchaikovsky.

  

 

   Desligar ali de lado, ao fundo da barra da direita, no botão roxo, o Oistrakh para ouvir sem interferências, ou esperar que um deles eventualmente acabe.

   Este post é programado. A esta hora, não estou em casa nem tão pouco perto de um computador. Vou em concertos. O fim-de-semana todo. E, sim, apesar de tudo e com uma ponta de receio, eu vou entusiasmada, e feliz.

Orquestrado por Violinista às 13:10
No momento, estou: Entre entusiasmada e ansiosa
Música do momento: Romeu e Julieta - Tchaikovsky

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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