Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
06 de Março de 2012

   Eu acho que foi grande merda.

 

   Enganei-me, o som foi grande treta, fiz de partitura porque a memória já tinha ido com os passarinhos quando ouvi a última nota da que estava a tocar antes de mim e me dá um nó no coração que só visto. Dizem-me que fui bem.

 

   Mas desta vez o meu pai foi lá e gravou. O que significa que eu já vi a gravação.

 

   E, pronto, tenho que dizer, apesar dos dois erros, a maioria até saíu, apesar do som ranhoso do violino as coisas até estavam. E é notável a evolução das últimas gravações, que deviam ser para aí do primeiro ano, para esta hoje. Prontos, tenho que admitir... eu até nem toco assim tão mal.

 

   No entanto, ainda não é gravação que eu tenha orgulho em mostrar alguém. Não, para essa ainda tenho que fazer mais umas quantas.

 

   Mas, não, foi horrível.

Orquestrado por Violinista às 23:30
No momento, estou: Tenebroso
Música do momento: Adagio em sol menor - Albinoni
Palavras soltas: , ,
17 de Dezembro de 2011

   Engraçado que à semelhança do primeiro ano, apanharam-me outra vez a ir para a orquestra dos pequenos. Sabendo as tradicionais músicas (cordas soltas e Estrelinha), porque essas já devem estar gravadas permanentemente no cérebro, mais ou menos a música de Natal (aprendi-a... nesta manhã), e sem saber a outra. Isto só foi bom para uma coisa: criar estupidez natural a actuar, que serve para nas próximas vezes não me paralisar ao mínimo erro/ataque de nervos/branca. Isso, e eu fiquei ao lado do concertino, os dois a apanhar pancada um do outro com os arcos, no que deve ter sido um contraste interessante entre alguém muito baixo e alguém muito alto.

   Mas até foi giro.

 

   A actuação da orquestra correu bem. Mesmo com o grande intervalo entre o Canon e a Sleighride porque o concertino não tinha uma das folhas (vamos apenas dizer que se eu estivesse naquele lugar, naquele momento, naquela situação, apenas diria a mim mesma para correr para longe do maestro o mais longe possível e que as pernas permitissem... mesmo não estando, a vontade era essa. Juro que me calo agora, porque não o tinha visto antes assim, e não o quero ver assim por minha causa, que até se me arrepiam os cabelinhos).

 

   Falta o concerto no hospital. E a actuação de quarta. Temos ensaios, ainda. Vou estar ocupada, parece-me bem.

Orquestrado por Violinista às 23:12
No momento, estou: Bit tired.
Música do momento: U. N. Owen was her, em piano, Cool&Create
02 de Dezembro de 2011

   Sonhei com a orquestra. Estávamos num restaurante chinês e a pedir a maior quantidade de bolos com chocolate que conseguíssemos ingerir. É um sonho estapafúrdio.

 

   E pela primeira vez posso chegar aqui e dizer que fui tocar a peça na audição e não me enganei uma única vez (daqueles erros estúpidos, género falhar uma nota), se bem que ainda acho que foi um bocado... não muito boa. Mas até foi bom. Essa e o duo. Foi bastante bom, no final. Apesar dos nervos com que estava, conseguiu ser uma boa tarde.

 

   Toda a gente me diz que toquei bem.

 

   Sabe bem.

Orquestrado por Violinista às 21:25
No momento, estou: Bem, e queria que durasse
Música do momento: Polish Dance - Edmund Severn
17 de Novembro de 2011

   A minha sorte de um ano a repetir a desgraça do primeiro ano, é ter aulas precisamente nos dias que levam com os dois feriados de Dezembro, e ainda por cima ter a greve. Não é por nada, se querem manifestar-se assim, manifestem-se. A mim, não me dá jeito. Na verdade, nem os dois feriados dão jeito. Eu sei. Não trabalho. Sou estudante, e olha a porcaria, ainda que seja música, eu quero estudar, quero ter aulas de violino.

   Pode ser que tenha a sorte de apanhar sua excelência sempre bem disposto a dar-me aulas às sextas. Porque senão, hoje era a última aula antes das audições e isso não era nada bom.

   E parece que é a Dança Polaca que vai (o Kabalevsky é maior, é mais complicado e metia mais ensaios com piano ao barulho).

   Os ensaios com piano... (antestreia de uma série de desgraças agora neste cantinho perto de si.)

 

   Hoje nem correu muito mal. Não tive de fazer as escalas de duplas, que à conta das décimas já acho que a mão esquerda abre mais que a direita (também dói mais, aviso-vos). Infelizmente, fiquei também a saber que não vale a pena queixar-me do dedo direito por causa dos acordes em pizzicato, porque o dedo estar a arder não é nada em comparação com o que ainda está reservado para vir para a mão esquerda (algo como esfolar as pontas dos dedos... bonito...).

   Fora a estante que hoje estava rebelde das horas. As folhas não se seguravam em cima delas, a magana abaixou-se quando se quis marcar dedilhações. Isso, choques de arcos, eu quase levar com um espetado na cabeça. Foi uma animação.

   Mesmo assim, não estou lá muito satisfeita com o que toco.

   Vou ali enrolar-me a um cantinho no meu quarto a chorar descontroladamente abraçada ao meu edredão de estimação dos marcianos e a chuchar num Snickers. Já volto.

Orquestrado por Violinista às 21:48
No momento, estou: Ne sais pas
Música do momento: Epoca - Gotan Project
18 de Junho de 2011

   Engraçado que mais uma vez é no teste final de Formação Musical que tiro nota máxima (100%), o supostamente mais difícil (bom, na verdade, nem tanto mesmo). Engraçado que a coisa em geral até correu bem. As audições de conjuntos, a aula que nem parecia uma aula.

   Engraçado que aquela gente, que eu já esperava não me falar, que combinam almoços e festas e eu nem sei da missa a metade, lá me resolveram incluir na surpresa de dia 24. E não houve repostas tortas em lado nenhum, mas nós também já somos umas mestras a portar máscaras. E eu estava de saia (ago estranho, saia longa e um top rendado a dar para o gótico), portanto, comentários de que eu estava bonita (nem por isso) e que devia ir assim mais vezes (não, calças, calças) anderam por lá de mãos dadas.

 

   Seria um belo dia.

   Mas sua excelência não me falou. Aventou-me a ficha de avaliação do docente (ele mesmíssimo), disse-me que a tinha de dar à outra professora, e nada de nada. Repôr a aula? Não sei como, não sei quando. Dizem-me que passou mais de metade de uma aula a falar de mim, e devo imaginar que apenas mal, mal e mal. Mas não foi capaz de me dizer nada. Não sei a porcaria da nota, e não sei o que vou fazer na sexta feira, tocar sozinha a esmo, tresmalhada, sem indicações, não vou, não consigo.

   De que me serve que fale de mim, que nas aulas me diga coisas que se calhar até me agradam ouvir, se agora tudo me sabe a mentira na boca e não é capaz de olhar para mim e falar comigo fora da sala?

   Estúpida que eu sou. Preenchi a dita ficha com excelente nota para sua excelência. Quando bem sei que se diverte a ver-me quase em choro e a tocar caca.

   Vale a pena continuar no próximo ano? Se a única pessoa que eu pensava que me poderia ajudar, me odeia?

Orquestrado por Violinista às 22:30
No momento, estou: Confusa
Música do momento: Palladio - Jenkins

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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