Aquilo de há dias... conto-vos, deve ter sido o Prozac a falar.
Porque hoje, depois de uma desilusão que quase me atirou para o chão, e de mais conversa que se calhar eu devia ter evitado, voltei a achar-me o maior traste que existe na cidade mais merdosa do país mais miserável do universo.
Era suposto eu vir aqui fazer um post em que falava que me fartava das tais ditas actividades de orquestra que prometiam que as minhas férias fossem melhores. Não. Era suposto eu ser uma boa pessoa e ainda assim vir aqui falar que ri, e passei uma tarde fora de casa a tocar. Não sou capaz. As pessoas até agora têm-me visto com a imagem de rapariga boa, paciente, acertada, altruísta. Não sou. Portanto, eu fiquei como se tivesse levado porrada até descer... como chefe de naipe dos segundos violinos, quando as colegas melhorzinhas e com quem mais falava estão nos primeiros e eu estou limitada a aturar crianças. Abomino o lugar, abomino a parte de segundos daquelas músicas, abomino ter de estar a fazer harmonização em vez da melodia, detesto crianças. Eu não tenho capacidade de líder, nem capacidade pedagógica. Pelo amor do Karma, eu odeio crianças, eu não consigo dar-me com crianças, a não ser sendo tão falsa quanto uma boneca de plástico.
Porquê? Porquê? O que é que eu fiz de mal para estar agora a levar com este mau karma todo? Bolas, eu já estou condenada a só sair deste buraco do mundo para Lisboa com muita sorte, porque não há como os meus pais me pagarem o curso, eu sei que muito provavelmente numa orquestra a sério não saio do último lugar dos segundos violinos, custava muito manter-me no lugar que eu já habitualmente ganhei? Ou vou ser despromovida muito em breve? Eu já não percebo nada, a única coisa que tenho feito é andar pela vontade, que até hoje me tem movido em frente. As coisas difíceis, por mais que eu choramingue, levam-me para a frente. A mal ou a bem, vou para a frente. Mas aquilo? Só me manda para trás, e cada vez mais para trás. Não sou capaz de ver o lado positivo disto. Não há lado positivo nisto.
Lá está aquilo que receava sempre antes de uma coisa ainda melhor acontecer, o receio de cair. As quedas, aliadas à minha cabeça já nada segura, são catastróficas. Pensam que eu vejo isto com a mesma cabeça que eles, da mesma forma. Não. Eu vejo isto distorcido. Não devia, diz o psicólogo, não devia. Mas a verdade é que vejo. Não adianta nada todas as tentativas e pseudo-tentativas de tentar andar alegre com alguma coisa, mais dia menos dia gasta-se, evapora-se, regresso á realidade de pessoa mal amada e deslocada.
A verdade é que agora tenho frustração. A verdade é que eu mais me valia ter ficado calada na minha. Não volto a falar com ninguém assim. A verdade é que volto para casa com a sensação que mais me valia ter ficado em casa a estudar do para lá ter ido.
A verdade é que vou e vou calada.



