Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
12 de Setembro de 2011

   Início do ano lectivo. Caso para dizer ai-que-bom-ironia.

   Sossegada em casa, penso se algumas pessoas não quereriam encetar conversa comigo por causa disso, nisto quando começo a ouvir um barulho estranho. Madeira a vibrar com alguma coisa em cima. Oh-oh, o telemóvel (se tivesse com som já há mais tempo que tinha dado por ele). Pensei que era uma ela, apenas e só uma colega da minha idade. Chego lá e ele continua a vibrar (portanto, chamada) e a mãe a reclamar. Número identificado mas que o telemóvel não tem na lista de contactos. Atendo.

   Não era voz dela. Era a voz de um ele que eu não reconhecia. Eu sou um desastre a conhecer vozes, mas aquela não ia lá. Pensei, sei lá porquê, no meu padrinho. Não era.

   Em voz não muito alta, identificou-se.

   Eu acho que já tinha pensado numa cena destas, e não estava minimamente preparada para se tornar tão real. Estive para cair e engasguei-me toda ao telemóvel.

 

   Sua excelência.

 

   Portanto, numa conversa em que eu não sabia o que dizer de atrapalhada que estava (então como foram as férias? Respondi "nhéé", o que só por si diz tudo), informa-me que tenho de ir lá deixar o horário de disponibilidade. Só depois é que vi a carta. E vi que hoje era o último dia para o fazer. Não sabia. Portanto, lá fui. Prontos, isso já está resolvido, e até... quarta? Ou para a semana? Je ne sai pas.

 

   Não evitou foi que eu chegasse ao meu quarto com as pernas a tremer.

Orquestrado por Violinista às 21:05
No momento, estou: Santa atrapalhação
Música do momento: Stranger in Moscow - Michael Jackson
21 de Junho de 2011

   Faz sentido que tendo andado num stress, raiva e mágoa extremas, um medo estúpido que me começou a perseguir e não me larga, que tenha chorado, agora então que estou toda engripada, com dores, voz de caca fanhosa, que tenha rebentado para uma amiga numa casa de banho que finalmente me deu coragem para mandar o sms derradeiro, em que escrevi quase como se estivesse a escrever uma carta ao Presidente da República tal não é a nóia de não ofender sua excelência, para perguntar, à espera de uma resposta má, ou de nenhuma resposta de todo...

 

   ... eu recebo um sms com uma coisa que já poderia ter feito há mais tempo e que não é propriamente aquilo que estava à espera, mas pode ser que seja melhor que nada, e a terminar com um smile. Um smile.

 

   Há qualquer coisa errada aqui, mundo. Ou sou só eu?

Orquestrado por Violinista às 16:50
No momento, estou: Parva.
Música do momento: Viva la vida - Coldplay
Palavras soltas: , , , ,
25 de Janeiro de 2011

   Hoje ia a caminho da aula de código, de mp4 nos ouvidos, e encontro pelo caminho um pardal no chão. Assim um bocado atarantado. O bicho não era um daqueles simples pardais castanhos, mas sim um pássaro esverdeado. Diferente. Bonito. Tinha sangue no bico, provavelmente tinha levado alguma pancada, e não me parecia um pardalito novinho acabado de cair do ninho. Nem tão pouco havia ninhos ali perto. O lugar mais perto de onde ele devia ser era o Jardim Público, e já estava a um grande vôo de distância.

   Bom, tive pena do pobrezito. Eu sei, eu sei, sou bastante mole às vezes, e afinal sou tão rapariguinha e "ai pobrezinho do passarinho". Não me pus a gritar isso no meio da rua. Não o podia simplesmente levar para casa, porque ia para a aula de código e não ia chegar lá com um pássaro na mão. Nem estava a ver como é que ia confraternizar aqui com os mandarins. Mas pareceu-me que ou o levava dali, ou ele ainda apanhava uma pisadela em cima que acabava de vez com ele, e não da maneira mais indolor.

   Agarrei nele e tive uma ideia. Do outro lado da rua há uma casa abandonada, com um buraco enorme na porta. Como era mais resguardado, e está um vento nada agradável, fui, estiquei o braço e deixei-o lá dentro, na entrada. O pequenote ainda conseguia voar um bocado, e quis-me foi trepar pelo braço acima. Não, levá-lo estava mesmo fora de questão.

   Deixei-o lá. Quando voltei da aula, já lá não o vi. Com sorte, terá sido esperto o suficiente e entrado na casa, que é mais confortável e segura que a rua. No entanto, a probabilidade destes pássaros se safarem é sempre e infelizmente curta.

Orquestrado por Violinista às 23:36
No momento, estou: Normal como normalmente.
Música do momento: Capricho e Galope para violino e piano - Lopes-Graça
27 de Novembro de 2010

   Hoje era prova escrita.

   Ontem à noite já combinavam lugares. Hoje a Kat agarra-se a mim porque não estudou, toda a gente quer ficar ao meu lado e eu nem entanto tanto o porquê. E a minha borracha conseguiu fazer uma maratona de todo o tamanho na mesa.

   Acho que me enganei num dos acordes e num dos intervalos da parte da audição. De resto, esperar para ver.

Orquestrado por Violinista às 14:19
No momento, estou: Eu estou só normal.
Música do momento: Intermezzo, Cavalleria Rusticana - Mascagni
24 de Julho de 2010

   Há dias em que pequenas coisas são o suficiente. Pequenos momentos que desfrutamos quase inocentemente, que nos transformam naquilo que somos e se convertem nas nossas lembranças. E, como se diz, um ser humano é feito de mais do que carne e ossos, é feito das suas memórias, das suas vivências e aprendizagens.

   Andar pela praia a fora, com a água do mar a lamber os pés ocasionalmente. Sinceramente, acho isso, ou qualquer outra caminhada, seja na praia ou no campo, melhor do que esses ginásios, ou exercícios de Playstation, e ninguém concorda comigo. Enquanto andava, e sentia pena de não viver numa cidade perto do mar, voltei a pensar na natação. Nadar era uma coisa que eu até gostava de voltar a fazer, mas está fora de questão. Uma pena.

   Hoje o meu pai deu-me para as mãos uma pequena estrela-do-mar. Uma coisa raríssima aqui, já que não estamos propriamente numa daquelas praias paradisíacas (onde, a propósito, as estrelas-do-mar são uma praga com direito a exterminação... enfim, o que uns têm em excesso, rarea noutros lados). Estava a ver a pequenina na minha mão, quando sinto comichão. Estava viva, e estava a mexer-se, mesmo em cima da palma da minha mão. Era beige, raiada de vermelho.

   Deixei-a dentro de água. Tentei afastá-la da zona onde toda a gente mete os pés, porque sei, simplesmente, que as hipóteses dela lá seriam nulas. É tão raro encontrar estas coisas, que depois é uma pena vê-las desaparecer na água e saber, lá no fundo, que não se vai voltar a encontrar, e que, muito provavelmente, mais ninguém quer saber disso.

   E voltei a ver livros. Se há paixão que eu tenho além do violino, são livros. E se há coisa a que a minha mãe já torça o nariz, são livros também. Mas, eu confesso, não consigo resistir a passar ao lado de livros, sem ver os títulos e, invariavelmente, descobrir algum que queira. Nem aqui, que achava que só se vendiam publicações de selo Harlequin, me safei. Afinal havia outros, e tratei logo de descobrir uns quantos. A vontade não é pouca, nada pouca.

   E daqui a uns dias há o Festival de Músicas do Mundo em Sines, onde não vou ter a oportunidade de ir porque já não vou estar por perto. Só lá fui uma vez, e foi apenas ao recinto à volta. Foi lá que comprei a minha mala, aliás.

  

Orquestrado por Violinista às 15:13
No momento, estou: Calma.
Música do momento: F#m - Saltillo
Palavras soltas: , , ,

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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