Início do ano lectivo. Caso para dizer ai-que-bom-ironia.
Sossegada em casa, penso se algumas pessoas não quereriam encetar conversa comigo por causa disso, nisto quando começo a ouvir um barulho estranho. Madeira a vibrar com alguma coisa em cima. Oh-oh, o telemóvel (se tivesse com som já há mais tempo que tinha dado por ele). Pensei que era uma ela, apenas e só uma colega da minha idade. Chego lá e ele continua a vibrar (portanto, chamada) e a mãe a reclamar. Número identificado mas que o telemóvel não tem na lista de contactos. Atendo.
Não era voz dela. Era a voz de um ele que eu não reconhecia. Eu sou um desastre a conhecer vozes, mas aquela não ia lá. Pensei, sei lá porquê, no meu padrinho. Não era.
Em voz não muito alta, identificou-se.
Eu acho que já tinha pensado numa cena destas, e não estava minimamente preparada para se tornar tão real. Estive para cair e engasguei-me toda ao telemóvel.
Sua excelência.
Portanto, numa conversa em que eu não sabia o que dizer de atrapalhada que estava (então como foram as férias? Respondi "nhéé", o que só por si diz tudo), informa-me que tenho de ir lá deixar o horário de disponibilidade. Só depois é que vi a carta. E vi que hoje era o último dia para o fazer. Não sabia. Portanto, lá fui. Prontos, isso já está resolvido, e até... quarta? Ou para a semana? Je ne sai pas.
Não evitou foi que eu chegasse ao meu quarto com as pernas a tremer.



