Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
05 de Março de 2012

   Depois de ver La Rabbia, estou viciada no Adagio de Albinoni. O pior é que de cada vez que o ouço, vejo as imagens de bombas nucleares.

 

   Para me tentar esquecer disso (e do programa de sábado sobre Nazis e Extraterrestres), resolvi andar a vagar na internet a ver sites com mil e trezentos acessórios para violino, tais como caixas em cores berrantes, saquinhos de seda (aka pijama de violino), arcos e mais umas quantas coisas bonitas, mais ou menos dispensáveis, para as quais não tenho orçamento.

   Então, encontrei uma notícia que diz que um japonês começou a fazer cordas para violino feitas a partir de teias de aranha. Milhares de fios enrolados daqueles fiozinhos horripilantes que às vezes se vêm por aí.

   O meu cérebro bloqueou e eu só consigo pensar "Nhérrg, que nojo."

   Por outro lado podia fabricar as minhas próprias cordas em casa. Porque, muito engraçado, eu tenho pavor de aranhas e o lugar onde me metem a tocar está cheio delas.

 

   Ai, amanhã... e de cor ainda por cima... uma aposta em como me vou espalhar à grande.

Orquestrado por Violinista às 23:54
No momento, estou: Agora sim, enervada.
Música do momento: Adagio em sol menor - Albinoni
Palavras soltas: , ,
05 de Fevereiro de 2012

   ~ Tocar a tarde inteira sozinha em casa com uma chávena de chá manteve-me animada.

 

   ~ Resolvi ser auto-didata por um tempinho. O problema é que eu escolhi ser auto-didata com coisas de Paganini e piores ainda. Ou seja, o meu cérebro faz muito sentido. Se juntarmos a isso o facto de, do nada, ter-me lembrado de mais músicas de Vangelis e tentado imitar no violino, e de eu andar a ouvir coisas... lá se vai sanidade.

 

   ~ O fundo disto deu bota outra vez. Portanto, é meia noite e fui-me por a brincar no Photoshop, com a diferença que deve ter feito e refeito para aí umas trezentas versões e nem por isso isto está alguma coisa de jeito.

 

   ~ Agora sim, posso extravasar e dizer: cordas PI, eu amo-vos. São caras, mas eu amo-vos. Amo, amo, amo.

 

   ~ O arco fintou a morte mais uma vez. Da próxima morre de vez. O que significa que eu tenho uma janela aberta para namorar arcos na loja online. Mesmo com toda a treta que se apanha a comprar coisas desta natureza em lojas dessa natureza. Quero um Viennabow.

 

   ~ Abri o dedo outra vez por causa dos pizzicatos.

 

   ~ Estou com medo porque o concerto do Kabalevsky já está mais que marcado para ir à audição. Que é em Março. E ainda por cima devo ser obrigada a sabê-lo de cor. Vou fazer merda. Uma coisa destas à velocidade em que está, decorada? Vou fazer asneira da grossa. Não vou conseguir. Muito provavelmente vai voltar a dar-me o piripaque. Depois de ser esganada, claro, às mãos dele.

 

   ~ Querem-me fazer feliz? Prometam uma viagenzinha que eu até queria fazer, com pessoas com quem eu quero ir, ver coisas que gosto e que quero ver e ouvir. Querem dar-me a maior desilusão da vida? Depois dessa descrição toda maravilhosa, digam o preço, e que este seja mais alto do que aquele que alguma vez conseguirei convencer os meus pais a pagarem para eu ir dar uma volta.

 

   ~ Outra vez o trabalho para a semana dos arcos. Desta vez com bastante antecedência, para dar para fazer. Olho para o protótipo do trabalho do ano passado que comecei a fazer. Está uma caca. Não sei o que fazer ou escrever. Desisto, não consigo. Era uma caixa em forma de violino feita em cartolina, montada em cima de uma cartolina, feita a partir de um papertoy, que dá para abrir. Não é muito grande. Não sei o que lhe fazer. Faça o que fizer vai sair uma coisa estúpida e vão rir-se na minha cara. De idiota chapada ignorante.

 

   ~ Finalmente, ao fim de três anos, completei o raio da pulseira com o violino de prata. Tenho um mini violino na pulseira. Prontos, contente.

 

   ~ Estou dorida. Agora dei em tocar até às dez da noite. Não sei como é que consegui essa proeza sem ouvir nada (sei: arrecadação). Continuo sem saber quantas horas estudo. Não as conto. É o dia inteiro enquanto puder.

 

   ~ Dói-me o dedo.

Orquestrado por Violinista às 23:21
No momento, estou: Au.
Música do momento: To the unknown man - Vangelis
23 de Janeiro de 2012

   Eu gostava que as pessoas me explicassem uma coisa.

 

   Imaginemos uma fulana (pode ser uma dessas ao estilo tia de Cascais de cabelo aloirado que tem a infelicidade de morar num monte alentejano, porque eu não gosto dessas pessoas e o estilo delas serve bem para este efeito). Fulana vai a uma loja de animais e compra um gato bonito, de raça. Fulana cria e educa o gato até ao seu primeiro ou segundo ano de vida, é um gato bem cuidado, gordinho, luzidio, e que conhece o significado de estar em casa e ir à caixa de areia. Um gato normal, portanto.

   E, um belo dia, essa fulana mete-se no carro com o gato, vai até um ponto qualquer dos montes e cabeços alentejanos onde sabe que mora gente idosa que até tem mais paciência para animais do que ela, deita o gato para fora da sua vida e é isso, faz-te à vida bicho, já não quero saber de ti. Assim, sem mais nem menos.

 

   O que leva uma pessoa, em primeiro lugar, a comprar um animal se já sabe que mais tarde vai resultar em abandono, ou porque não tem dinheiro, ou porque não tem paciência, ou porque quer uma casa limpinha e imaculada e estéril, ou por outro motivo qualquer? Não teria sido melhor se logo desde o início se tivesse sentado e esperado que a vontade de ter um gato enquanto ele é um bebé, que adultos já são feios, lhe passasse? Melhor para a pessoa, seja lá quem seja, e muito melhor para o gato.

 

   Eu fico preocupada, porque os meus avós, que têm sido excepcionalmente bondosos com a quantidade de gatos que lá aparecem e com os que têm lá em casa e que são mesmo parte da família (uma gata rabugenta, um gato meio idiota, uma gata inteligente que sabe abrir portas e uma gata meio morta. Juntos são a mafia de gatos lá do monte), só lhe dão comida, e não lhe dão lugar onde dormir. Tenho medo que o gato não volte a aparecer na próxima vez.

   Em suma, sabendo inconscientemente que sou uma pessoa marcada para ser Forever Alone, a minha consciência bondosa abriu aqui um lugar para o gato. Na minha cabeça, já tem nome: quero-lhe chamar Kabalevsky. Quero-o trazer para casa, apesar da cadela e dos pássaros e da tartaruga, quero ficar com ele, que ele seja meu e não dos meus pais. Quero-o e quero lá saber dos pêlos, ou de ser um animal em casa. Quero. Apagar-lhe o passado e simplesmente arranjar-lhe uma casa quentinha.

 

   Porém, convencer a Komandante está mais para missão impossível (e o incrível é que eu até sei que ela gosta de gatos)...

Orquestrado por Violinista às 20:03
No momento, estou: Wtf.
Música do momento: Concerto para Violino - Kabalevsky
25 de Dezembro de 2011

   Ora bem, passado o espírito natalício de ter ficado em casa dos avós, à volta de uma lareira tipicamente alentejana, com pizza e rabanadas, uma sombrinha de chocolate, e ter, basicamente, ficado a tocar até à meia-noite, ou quase. Hora de abrir os presentes. E de dizer o que recebi, talvez na esperança de mostrar qualquer coisita para vos mostrar que eu também tive Natal (apesar de tudo...). Mas quem é que eu quero enganar? O Natal é para mim uma treta, porque na maioria das vezes não há quem consiga acertar num presente que eu ache bom.

   Sigamos, a lista.

 

   Perfume, Lolita, imitação mais barata, do que eu costumo usar. Dos papás. O outro frasco já estava gasto. Ao menos é um perfume que eu gosto, e uso. Geralmente, perfumes são uma opção segura, já que são o único cosmético que uso todos os dias (contando que o desodorizante seja produto de higiene).

   Pantufas, novas, quentinhas, fechadas, do tipo bota. A minha mãe teve a sorte de acertar em cores que gosto, e num estilo aceitável. Tenho-as nos pés. Nada mais a dizer.

   Livro, o de História da Música II, do período Romântico até ao mais actual. Ainda só lhe dei uma vista de olhos, uma farejadela aqui e ali (lê-se: fui ao índice e tratei de ir procurar todas as referências a Paganini que o livro tinha, e encontrei duas páginas com uma pequena biografia e algumas referências espalhadas. Sim, eu sou mesmo esquisita. Sim, eu estava toda feliz.).

   CDs, um com dois concertos de piano e três sonatas de piano e violino de Beethoven, outro com três sinfonias dirigidas por Karajan, e apanhei um susto quando vi que a caixa do Beethoven estava meio desfeita. Não vale a pena ir à loja reclamar do facto da caixa estar escavacada, mas é de extremo mau gosto aquilo. Tirando isso, os cds estão bons (alívio...).

   Blusa, de malha, aquela da minha wishlist. Dos avós, tão simplesmente à maneira mais simples do "toma aqui este dinheiro destinado a essa blusa e vai comprar".

   Colar e brincos, tons castanhos/alaranjados, algo alusivos a Outono, flores laranjas e folhas secas. Bonito, mas não é o meu estilo. Estou para contar o número de vezes que vou usar aquilo, e vão ser bem poucas (lá devo desencantar uma festa onde os usar, eventualmente).

   Livro, um romance. Tenho um certo receio. Não é da mesma autora do romance que me deram e eu simplesmente desisti de ler, mas tenho medo que seja parecido. É um romance que mete amores daqueles, e complicados. Firmeza. Eu vou ler aquilo. Hei-de ler aquilo. E também o outro. Quando tiver paciência...

   Vale da perfumaria, ou seja, Perfume. Depois passo lá e decido se invisto num Lolita Lempicka de baunilha, ou se resolvo testar o Valentina, ou se me dá na telha e parto para um perfume desconhecido... (Bom mesmo era se eu reencontrasse o Dalimania. Meu Deus, como eu adoro esse perfume, e as saudades que dele tenho...)

   Dinheiro. A investir nas mensalidades do conservatório. Excelente presente. (Não, um excelente presente era um violino novo).

   Chocolates, bombons, finalmente, estava a ver que ninguém me dava chocolates. Agora tenho uma boa quantidade. Tem de chegar até ao dia do concerto.

   Porta-chaves do Yoshi. Vi na Worten. O meu lado nerd não sossegou enquanto não converteu uma pequena parte do dinheiro nesse artigo (felizmente foram só cinco euros, espero não me vir a arrepender). Está na caixa do violino, a fazer companhia a um extraterrestre fosforescente e a um brasão de Harry Potter com a Hermione desenhada no meio.

 

   Para terem uma ideia do quão mal eu estou vestida agora, e passei o Natal assim, imaginem uma blusa de malha verde-escura a dar para o verde esmeralda, longa, com um casaco mais curto por cima de xadrez vermelho e preto, e umas calças pretas. Sapatos castanhos. Pior que gostei do estilo, ou seja, não vai ficar reservado só ao Natal por muito tempo.

 

   E, prontos, Feliz Natal a todos, comam muito chocolate, façam o que vos aprouver numa época destas.

 

   E, claro, para grande desespero dos meus pais, o meu irmão voltou a pedir um pseudo-instrumento musical, desta volta, uma guitarra do Ben10. Está radiante com aquilo. Foi pô-la encostada à caixa do meu violino.

Orquestrado por Violinista às 21:19
No momento, estou: Jingle Bells
Música do momento: Escolham uma dos cds ali de cima
Palavras soltas: , ,
10 de Dezembro de 2011

 

Orquestrado por Violinista às 22:38
No momento, estou: Cansada
Música do momento: The Piano Concerto - Michael Nyman
Palavras soltas: , , , ,

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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