A viagem variou entre a calma e o facto de eu ter ficado com dois ganforinos sentados atrás de mim cujo passatempo era brincar com os bancos da frente, nomeadamente, o meu. Mas foi calmo. Deu para conversar um bocado (se bem que, eu já quase faço inconscientemente de propósito não gostar de lugares atrás, ser das últimas a entrar, ficar mais à frente e evitar ficar com um dos miúdos, o que equivale a mim a sentar ao lado de um professor). Portanto, tive boa conversa, como poucas vezes tenho, o que me leva a pensar que além da dificuldade em conversar, eu estou mais propícia a conversar com mais velhos, e não com mais novos.
O Museu da Música era pequeno, tímido, enfiado ao lado do metro debaixo do chão como quem está a fugir do olhar. Tinha uma daquelas trompetes com cabeça de serpente (que eu costumo dizer que são as trompetes de Slytherin), tinha um violoncelo Stradivarius e violinos Capela. Paraíso. Já em relação a souvenirs (e eu que não esturrasse dinheiro nessas merdas), só trouxe um íman com um violoncelo e um caderno, o íman foi mais por aquela coisa de eu coleccionar ímanes. Os souvenirs ou eram caros, ou não eram nada do que eu pretendia; não tinham nada com violinos, e o raio das canetas nem eram daquele museu, eram de um museu de arqueologia.
Porém, nunca lá tinha ido, aquilo é giro, fartámo-nos de rir à custa do serpentão.
O concerto. Uma palavra: awesome. Eu estive para chorar, eu estive para me enfiar na cadeira, eu olhava para aquilo e bebia som e imagens e melodia. Acho que por mais que escreva não vou conseguir descrever aquilo. Foi a primeira vez que fui a um concerto assim, o máximo que tinha visto eram concertos da orquestra do Algarve, e eram coisa pequena. Aquilo... eu desejei que o tempo encalhasse e ficássemos eternamente ali, todos. Porém, doloroso. Aquilo é bom demais, e eu nunca vou conseguir lá chegar, nem aos calcanhares. Pelo que via, mais parecia que os tipos tocavam sem almofada, e eu acho que já não sou capaz disso. Além de um concerto inteiro para violino memorizado. A minha memória é um caos.
Foi lindo, mas lindo que dói.



