Estou numa crise existencial absurda e estúpida.
Eu acho-me uma merda. Ponto. As pessoas dizem-me que eu tenho de ter confiança nelas e em mim mesma, e eu não tenho, é escusado, eu não consigo tê-la nem ir arranjá-la a lado nenhum. Eu já não acredito nas pessoas quando dizem que gostam de mim, é mentira. Comecei praticamente a tocar violino durante todas as horas possíveis, não as conto, deito-me tarde. Eu gosto de estudar isto, a sério que gosto. Mas começo-me a frustar quando parece que já não é suficiente, eu já não sou suficiente. Está, pormenores, tenho de os ver (a verdade é que eu vou para lá com nervos, com medo, com eu sei lá o quê, e só de achar que vai sair mal as coisas vão sair sempre a medo), está bem, afinação é e sempre será um problema, assim como bem sei que falho no tempo, na dinâmica...
Porra, eu alguma vez toquei bem alguma coisa? Não. Não acho.
Ensaio de piano mais o teste. Visão que eu tenho de tudo? Fui uma merda.
Já nem me lembro se me foram ditas coisas boas de mim. Já nunca me lembro. Só me lembro sempre de estar à baixar a cabeça de vergonha à frente de uma pessoa de quem escondo que gosto, que me aponta erros, erros, erros, que eu sei que é alguém muito superior a mim e nem precisa de se esforçar nada para isso, de quem tenho inveja, e respeito, e estima, e que tenho medo que tenha... o quê? Nojo de mim? Já o deve ter. Raiva? Muita. Vai-me baixar a nota e mudar de ideias a respeito de alguma vez conseguir ser alguma coisa, tipo, violinista? Mais que certamente.
E agora adivinhem quem é que se vai espalhar com o Kabalevsky numa audição muito em breve.
Já não sei o que me fazer, eu não sirvo para nada, vou acabar velha miserável e sozinha debaixo da ponte. Triste. Acho que devo ter atingido um dos meus pontos mais baixos.
Também já não vale a pena andar a esconder isto, já que tenho para aqui como visitantes umas 10 ou mais pessoas da minha cidade. Que eu até acho que consigo adivinhar quem são.
Fique a saber sua excelência que podia resolver muitos dos meus problemas se simplesmente conversasse comigo. Eu nem sequer sou capaz de falar muito alto na sua presença, e tenho mais medo do que o que possam eventualmente ter de mim. Ainda por cima, uma pessoa que tem a sorte de eu gostar. Posso ser tosca, fraca em demonstrações disso, mas quando gosto de alguém, gosto e pronto, não gosto é quando eu tenho que andar calada por muito tempo e a sentir que sou ignorada e chutada para o canto como se fosse lixo.






