Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
08 de Abril de 2012

   E a minha Páscoa foi isto, de Falla, vou morrer antes de alguma vez conseguir tocar esta coisa, Kabalevsky, AH! bem sabia que não eras de confiança, e agora vou estar um período a tocar um andamento que faça o que fizer não consigo gostar mas vou tocá-lo por obrigação porque sim, por isso é que mesmo assim a espanholada está melhor porque foi tocada mais vezes, acho que posso dar quase por cumprida a primeira fase do projecto "vamos ser um bocadinho auto-didatas porque à coisas que quero tocar e por este andar não lhes pego", voltei a fazer aquilo, a minha avó disse que gostava, só tinha é que estudar um bocado mais para sair melhor, acho que finalmente consigo chegar ao fim daquele estudo, procastinei fortemente no outro, inventei dedilhações kamikazis para a escala, próxima quinta serei mortalmente decapitada, passei as noites a ver filmes de terror japoneses, fui à procissão aqui da terreola mordor com as tias todas que vivem na cidade a olharem descaradamente para as montras quando passavam e eu a ter pensamentos nada católicos nem sequer de crente porque não sou crente e apesar de tudo fui para ouvir a banda e os clarinetistas a tocar uma música assim de marcha fúnebre cujo nome era Maria Emília, empanturrei-me em chocolate e tenho necessidade de mais chocolate.

 

   Como vêem, com uma vida tão interessante, nem aqui vim. Não. Na verdade, o violino é interessante e agora cheira a lavanda por dentro. Só espero é que não descubram como é que acabou a cheirar a lavanda por dentro. E tive o meu tempo de reflecção sobre umas quantas coisas, chegando sempre à inevitável conclusão que não há motivo para eu dar tanta importância às pessoas, se obviamente nasci para ser solitária.

 

   Cogito ir tocar a solo para o adro da Sé. Com três quilos de chocolate ao lado.

 

   Também penso mudar de blog. Para o blogspot. Mas com outra cara. E cheira-me que o melhor era esperar até cumprir o sonho, mas se eu própria não me aguento à espera disso, isto não se aguenta e, sei lá, nunca senti especial carinho do sapo por mim, foi mais sempre na base da ignorância. Quero sair daqui. Deste blog. Desta casa. Desta vida.

Orquestrado por Violinista às 00:47
No momento, estou: Farta
Música do momento: Return to Innocence - Enigma
Palavras soltas: , , ,
23 de Julho de 2011

    O meu espírito de praia e Verão está tão em alta que em três ou quatro dias de praia já palmilhei areal até me cansar, terminei de ler um dos livros que trouxe e já adiantei um bocado do segundo, e não tirei a roupa uma única vez (mentira, fiquei em bikini uma vez porque sua excelência o mar resolveu mandar uma daquelas ondas que me chegam ao cocuruto da cabeça).

   E os nadadores salvadores, este ano, além da barraquinha nova alla Marés Vivas, têm uma carripana nova e uns carrinhos novos, é vê-los em plena diversão. Isso mesmo. Uns têm Dakar, os que estão na praia têm "Rali Salvador".

   De coisas menos boas é acordar, sair da tenda, regressar e deparar-me com uma aranha enorme do tecto da tenda.

Orquestrado por Violinista às 14:23
No momento, estou: Desinspirada ao máximo
Música do momento: The screen behind the mirror - Enigma
Palavras soltas: ,
18 de Julho de 2011

   Entrar de férias é ser momentaneamente abduzida de um computador, se bem que agora já há possibilidades de eu voltar, mesmo que poucas vezes, mesmo que ao primeiro dia a minha vontade de o fazer tenha sido nula. Na verdade, continua um bocado escassa. Eu não sei muito bem o que fazer agora que chego à terrível e incontornável verdade que até na internet eu sou anti-social. Olha, uma boa entrada para essa coisa do Facebook: sou anti-social até nas redes sociais, blogs, e afins. Maravilha.

 

   Estão a ver a imagem aí de cima? Poderia corresponder à realidade. Corresponde e não corresponde.

   Primeiro que bastaram dois dias para já me ter aborrecido com isto tudo por falta de comida que eu coma de verdade, porque não vou conseguir tocar nada de jeito e vejo a minha vida a andar para trás, com uma soberana vontade de começar a atirar coisas ao ar e a desatar aos berros até que me internem. Sim, montou-se a tenda, sim, a mantinha polar nova é uma gracinha, e apesar do corte radical nos livros a trazer, ainda tenho alguns. Mas, uma tenda é uma tenda.

   Estou condenada a duas semanas a tocar violino com calor, sempre sentada até me doerem as pernas e não ter posição para estar, o arco a bater em todas as paredes da tenda, sem estante, portanto, curvada para o chão para ver as partituras, e, como não tenho conseguido evitar, a tarde, não sei como, ficou-me reduzida em muitas horas. Ou seja, estão a ver o estudo de Mazas com harmónicos? Já os perdi. 38 de Kreutzer? As sovas que me estou a dar para o fazer não estão a surtir grande efeito, e este é daqueles que se eu o falho um dia, tenho meio mês de trabalho despejado no caixote do lixo. O concerto de Beriot? A coisa vai descambar em 3... 2... 1... Kavatine e aquele solo, que sei lá bem o que é o nome? Ainda não lhes peguei desde que saí de casa.

   Para completar, lembram-se do vizinho que no ano passado me fez concluir que aprendizes de violinistas e campistas não são malta para se misturarem no mesmo espaço? Parece que afinal é meu fã. Já cá está ao nosso lado. Outra vez.

   Portanto, eu vim de férias da cidade. E, se tudo correr bem e a minha cabeça ajudar, também vim de férias das pessoas da cidade. O resto enfiou-se tudo dentro do carro, e é por isso que ia tão cheio que não houve espaço para outras coisas.

Orquestrado por Violinista às 21:53
No momento, estou: Blue
Música do momento: Walking in the rain - Flash and the pan
20 de Abril de 2011

   Julgo ouvir coisas, e viro a cabeça para não as encontrar em lado nenhum. Por vezes tem graça andar descalço e a imaginar que há o que falta na vida, como uma banda sonora no fundo e as três letras da esperada palavra a aparecerem nalgum lado à nossa frente, numa imagem congelada como uma fotografia.

   E na maioria das vezes só resta a sensação de falsa solidão. De estar sozinho e estar demasiado acompanhado ao mesmo tempo.

   Engraçado, ou com pouca graça, é que sempre que entro de férias, engripo. E ando dois dias com mal estar no corpo, garganta inchada e nariz transformado numa fornalha ácida. Isto é que deve ser uma doença com sentido de oportunidade aguçado. Por um lado, não me queixo. Não chateia assim tanto.

   Mas estou lentamente a regressar àqueles dias. A boca já me sabe a cinzas, as paredes estão cinza, os olhos das pessoas são cinzas acesas, a poeira que voa e me agride a cara é de cinza. A apatia sobe lenta. Não quero voltar a sentir o que senti naqueles dias. Só que eu não sei já o que sinto.

   Nada. Nada de nada. Está tudo a começar a escorrer, líquido viscoso, pelas paredes.

   Inspiro fundo.

   Deito-me.

Orquestrado por Violinista às 22:38
No momento, estou: ... ... ...
Música do momento: Prelude 2 - Dustin O'Halloran
11 de Abril de 2011

   É com a notícia de polícias e cães polícias do tipo Rex a apreenderem pózinhos de rir dos finalistas do secundário que vão para aquelas viagem à qual eu não fui (mas teria ficado mais contente se o que fiz aqui tivesse sido melhor, se eu não tivesse feito erro atrás de erro, embora sabendo hoje uma certas coisas que sei então veria que era inevitável, não é senhor?). Sei então que são as férias da Páscoa.

   Embora o aborrecimento de não ter aulas no conservatório já fosse um sinal forte.

  

   Portanto, julgava eu vir aqui ao blog e aproveitar algumas sugestões para escrever, para fazer qualquer coisa. Um desafio. Afinal, parece que não posso. Qualquer sugestão, pergunta, continua bem vinda.

 

   Que eu vou voltar às terceiras, sextas, oitavas e oitavas dedilhadas, e décimas. Que me mantêm ocupada, e que não são nada fáceis para quem tem umas mãos como as minhas, que são mãos de nada. É verdade, eu tenho é que me dedicar a outras coisas que não ao raio do blog. Que, a propósito, com o crescente número de coisas que me têm atirado acima, que me impedem de vir aqui e escrever o que sinto realmente, agora só me dá vontade é de o apagar.

Orquestrado por Violinista às 13:39
No momento, estou: Encolher os ombros.
Música do momento: Skrillex Medley em violinos, viola e piano
Palavras soltas: , ,

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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