Mais uma vez, o cenário é o mesmo. Eu deitada, ou sentada, na toalha a ler.
O Código Secreto, da Priya Hemenway, é um daqueles livros que se eu visse à minha frente numa estante à venda, provavelmente lá continuaria e eu não me sentiria tentada a levá-lo para casa em vez de outros. Foi-me oferecido, e assim, li-o, porque geralmente leio tudo o que me dão para as mãos (salvo raras excepções). Apesar do título assim a dar para o sugestivo, não é um livro de ficção alla Dan Brown (se bem que... falo por mim, às tantas páginas dá para nos sentirmos como um Robert Langdon a vasculhar segredos na Mona Lisa), coisa que me deixou, por uns minutos, com o pé atrás. Só que eu estou mais habituada a esses livros do que às vezes me parece (e há uns que acabo mesmo por gostar deles).
O livro fala sobre o φ - Phi (ou Fi). Que, para quem não sabe nadinha de nada, é uma constante real algébrica irracional, também conhecida, entre outros nomes, por Proporção Divina. Isto porque está presente na natureza e, aparentemente, em todo o lado. Nas conchas dos caracóis, nas folhas, nos picos dos cactos. Foi também muito usado na arte e arquitectura. E, adivinhem lá, as nossas amigas oitavas, quintas e quartas, intervalos perfeitos e mais bonitos, também estão ligados a isso. E espirais. E pentágonos. E o Homem de Vitrúvio.
O livro tem muita matemática. Se gostam, leiam. Se não suportam a matemática, então é melhor pensar noutro. Se gostarem de teorias da conspiração, então este é daqueles para se ficar a ver o bendito do Phi até nos rolos de cozinha estampados da Renova (não estou a gozar. Há uns rolos da Renova com desenhos de ramos com folhas, e os ramos são espiralados... se lerem, perceberão).
Foi interessante.
A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, e sim esse de ficção, é outra coisa. Para começo da coisa, quem viu o filme (com o Tom Cruise no papel de pai galinha desesperado e estoicamente heróico para uma filhinha loira sempre de aparência inocente e doente), esqueça o filme. A única coisa que deve ser parecida, é o aspecto das máquinas dos marcianos, e o discurso na voz de Morgan Freeman. O livro passa-se na época vitoriana, século XIX, no Reino Unido. Está dividido em dus partes. A primeira parte, quando os marcianos descem à terra, é... calma. Mais calma que o filme. E isso aborrece muita gente, porque os ditos marcianos só usam o Raio da Morte e divertem-se a incendiar quem se atravessa no caminho. O narrador, um homem filósofo que nos relata os acontecimentos, deixa a mulher e tenta ele mesmo encontrar um abrigo para fugir daquelas coisas, demasiado avançadas para o Homem dar conta delas. Estão um passo acima na evolução.
O verdadeiro desenvolver da expectativa está na segunda parte do livro, quando já estão sob o domínio dos marcianos e percebe-se o que é que os marcianos pretendem com os homens, ou melhor, o que é que eles lhes fazem. Não há tubos digestivos envolvidos, porque os marcianos não os têm, mas há... uma forma de alimentação.
E ao mesmo tempo em que o narrador nos conta isso, ele está escondido com um outro homem numa casa em ruínas mesmo ao lado dos marcianos. Estão os dois em desespero, e o outro resolve desatar a berrar sobre Deus e o Apocalipse (lembrei-me de uma cena semelhante em The Mist), chamando a atenção antes do narrador lhe dar uma boa cacetada na cabeça e o deixar inconsciente. E quando ele se esconde no carvão com um tentáculo de marciano mesmo a roçar as solas dos sapatos...
Chega a uma parte em que se perde a esperança na humanidade, e na possibilidade de esta, se existir, ser mais do que ratos escondidos no esgoto. Os homens são ali constantemente comparados com ratos ou coelhos quando estes eram caçados sem piedade por eles. Um adeus à existência de arte, cultura, possivelmente de conhecimento.
Porém, e a coisa que os salva, é que não há imunidade contra as bactérias por parte dos marcianos, e estes sucumbem. Estavam condenados a tal mal tinham posto os pés na Terra e respirado o ar. A humanidade salva pelos microorganismos que ela desgosta, para os quais pagou com vidas de antepassados até aprender por si própria a ter corpo para lhes resistir.
E eu dava tudo para ter ouvido a emissão do Orson Welles e o pânico que aquilo gerou.
Vi o site da autora do primeiro e deu-me vontade de ler o que ela escreveu de Wicca. Além de estar com vontade de tentar encontrar Soul Music ou Maskerade do Terry Pratchett. Aliás, qualquer livro do Pratchett.
Agora só tenho Indignação, do Phillip Roth, para ler, e ainda não lhe peguei. Ofereceram-mo no ano passado e ainda não lhe toquei. Nem sei o que esperar do livro, e por esquisitisse, ainda lhe estou a torcer o nariz. É um bom livro? Que outros livros recomendam?



