
Como eu tenho uma sorte tremenda e tenho aquela mania do "é só uma constipação, não vou tomar para isto", ora hoje toma lá com uma quase otite no ouvido direito. Primeiro, sons ampliados (especialmente a minha voz), depois, um tímpano relaxado que me obriga a fazer compensação de cada vez que me vou para assoar, e umas pontadas de dor lá de quando em quando. Agora, adicionem a isto uma aula de violino. Pois.
Não houve tempo para a escala (uma hora não dá para muito, é o grande problema), saltámos logo para os estudos. O primeiro, ainda foi, que é como quem diz que tenho de fazer o tempo igual em todas as partes e não falhar na afinação de um único ponto que em todo o estudo é logo ali que me espalho. Chegamos ao outro, desastre pegado. A afinação, ah pois que aquilo das cordas dobradas é bonito mas é um cu para acertar as diferenças de afinação, com a corda ré é uma coisa, com a corda mi é um milimetro mais abaixo. E de que me recordo eu? Master P dizendo na sua infinita sabedoria que o problema dos violinistas começa e acaba na afinação.
O concerto. Quando ouço que tenho de melhorar a articulação numa das partes, não consigo conter o sorrisinho estúpido, porque era uma das coisas que o outro me marrava mais na cabeça. E se eu tinha orgulho quando lá chegava com uma articulação de invejar (na altura). Isso, e o início de fobia aos pizzicatos, que motiva sempre para estarmos os dois um ror de tempo a fazê-los em conjunto, para ver se sai. Fora o resto. Diz-me que está a sair, qualquer dia está na altura de lhe juntar o piano, mas ainda há uma boa meia dúzia de detalhes a ver.
E aquela peça. A que tinha uma versão simplificada. A que diz que o som está melhor, que me foi uma batalha para chegar a isso. Porém, o pior problema, o das frases serem iguais mas com dedilhação diferente, é precisamente o ponto da peça e é precisamente onde eu começo a baralhar-me.
Tocar com mais força, manda-me.
Eu não posso tocar forte em casa. Se pudesse, se calhar já tinha resolvido esse problema mais cedo, mas não posso, é-me impossível fazê-lo. E é ordem que me é sempre dada. Ordem que chego a casa e só muito raramente a posso fazer. Não posso tocar forte em casa. Esta semana só o fiz uma vez, para fazer barulho na porta traseira de casa porque fiquei trancanda fora de casa.
Sempre quero ver amanhã o que é que fazemos (época de partituras novas pós-concerto), e como vai ser bonito o meu ouvido na orquestra (vou sofrer). Hoje que é hoje, estou ligeiramente enervada, ou seja, coisa normal.
Estou a ouvir Tubular Bells, versão orquestra, que é só capaz de ser a coisa mais épica com uma orquestra à face da terra (tirando Sheherazade). Estou com lágrimas de excitação nos olhos de tão bom que é. É como cruzar a minha infância com a minha actualidade, eu a tocar a minha criança interior, e nós as duas a tocar violino no meio disto tudo, isto é tão lindo, tão lindo, porra, isto é lindo. Estou capaz de ir fazer olhinhos ao maestro a pedir para tocar isto (quero lá saber que não temos sopros, arranjam-se), a sério que estou. Epá, se por alguma chance ler este blog, veja lá por favor especial, se me arranja as partituras desta coisa épica que é o Tubular Bells do Mike Oldfield tocado em orquestra.
Ultimamente ando sensível e estranha.



