Sinto, neste momento, que os blogs se tornaram um excelente negócio em que todos riem e eu olho cá deste lado com calmo interesse escasso. Já teve mais graça. Já teve blogs que me faziam ler-lhes os arquivos, por mais extensos que fossem. Gosto de ler, seja curto ou grande. Não sendo grande fã de Twitters limitados a 140 caracteres, porque há dias em que as coisas não se expressam apenas nesses caracteres, não me incomodam aqueles que escrevem posts longos. Sei de gente que se incomoda, que entra aqui, dá de caras com um post do tamanho que este vai ter e saí sem lhe apetecer gastar os olhos num texto que nunca mais acaba. Tudo muito bem, não fossem os habituais blogs estarem a desaparecer. E aparecerem outros que... bem... o povo ri, aplaude, e eu fico estática.
A minha aventura já um bocado longa com um computador ao lado começou quando eu era ainda criança. Não tinha mais de dez anos, e o meu pai, em vez de me levar à DisneyLand, comprou um computador (fui das primeiras na minha sala a ter um computador e a saber mexer-lhe, mas ainda hoje suspiro por nunca ter ido à terra do Mickey). Era todo creme, grandinho, com peças da Microsoft, um ecrã crt volumoso com bigodes (apareceram rachas nos cantos inferiores, que carinhosamente apelidámos de bigodes), montado por um colega do meu pai. Lembro-me dessa noite como se fosse há pouco tempo, eu enrolada no sofá com os meus bonecos a olhar para o meu pai e o pai do computador a mexerem naquela coisa. Tinha uma protecção de ecrã com um mergulhador, e sempre que abríamos uma janela, fazia barulhos "marinhos" (golfinhos, focas, o som de mergulhos,...), e a internet era Sapo. Um fio que se ligava ao telefone, e se comparada com esta, coitadinha, fazia aquele barulho de ligação e não era nada veloz. Mas era o suficiente na altura.
Entrei na blogosfera só anos depois, aos treze ou catorze, já estava noutra casa, com outro servidor de internet (este que tenho agora). O computador foi mudando, primeiro quando se avariou e o trocámos, depois o teclado, o rato, e o ecrã. Já nem as colunas são as mesmas.
Primeiro foi a blogosfera brasileira. Começou quando eu pesquisava por Harry Potter no Google e apareciam aqueles blogs de fanfiction colectiva, com direito a personagens controladas por várias pessoas numa espécie de rpg de blog. Havia um principal, um pioneiro, chamado Expresso Hogwarts para o qual todos queriam entrar e fazer parte dele (na única vez em que eles abriram inscrições, o meu computador estava convenientemente avariado, e tenho hoje a certeza que nunca teria tido hipótese alguma de fazer algo suficientemente bom para entrar), e cerca de vinte ou trinta outros mais ou menos no mesmo estilo, porque era a febre. E eu adorava aquilo, tanto que cheguei a tentar. Para mim, naquela altura, um blog era para aquilo: histórias fictícias apenas. Mais tarde viria eu a criar um blog pessoal (ao todo já criei cinco blogs pessoais, e mais umas ameaças de uns, e estão todos apagados, menos este claro), além de me integrar nalguns daqueles que depois me deram a oportunidade de conhecer blogs pessoais de algumas pessoas cujos textos leio, aprecio, e de quando em quando dão uma opinião mais pessoal. A minha imagem actual de um blog vem disso: um blog com algum texto substancial para oferecer, mas que tenha vida da pessoa.
Só anos depois encontrei a blogosfera mais dita portuguesa, ou seja, há um ano atrás encontrei os blogs do Sapo, quando os blogs de Harry Potter desapareceram na sua maioria, e eu deixei o Blogspot e vim aqui para este cantinho, em vez de ir para o Tumblr (que, não me perguntem porquê, não aprecio lá muito, é pesado, é lento e não sei onde fica o lugar dos comentários, acho que nem tem, e isso para mim não serve). Apesar de tudo, as diferenças acabam por não ser muitas, e de quando em quando as duas esferas tocam-se. Já não é a primeira vez que encontro referências a blogs de um lado no outro.
E eis que agora a blogosfera se enche de uma onda de blogs de moda. E outros que copiam a mesma informação sobre determinado assunto sem mudar uma vírgula.
Os blogs de moda começaram muito inocentemente com aqueles blogs em que a autora punha fotografias de "looks", ou seja, vestia-se com roupas escolhidas a dedo como uma rapariga veste uma Barbie, e tirava fotografia, e isto, meus caros, é a moda que a malta agora segue para se vestir. Os blogs de moda tentam fazer aquilo que eu nego já até à minha mãe, e se lhe nego a ela, nego a toda a gente: dizerem-me como vestir. Odeio isso. Eu prefiro estar bem comigo e parecer horrível aos outros do que estar a envergar coisas que não aprecio. Eu sei que essa teoria não me traz lá muita fama. Encolho os ombros. Agora dizerem-me que aquilo é que é bonito, e é a moda, e dizerem-me o que eu tenho de vestir e fazer, não vou nessa onda. Entretanto, há aqueles blogs chamados "trendy feminino", com colunas sugestivas como "O que é que eles pensam delas..." sobre várias peças de roupa, em que um dos ditos homens a avaliar as mulheres para elas saberem se estavam no bom caminho para agradar aos gajos se descreveu como "gordo pervertido". A sério que uma mulher precisa da opinião de um "gordo pervertido" para se vestir? Sem falar que entre os quatro portadores do cromossoma Y as opiniões iam do oito ao oitenta e fica-se na mesma. Os posts, basicamente no estilo "agora está na moda o rosa piroso, imagens de um desfile qualquer, agora usa-se mais isto e isto, imagens da blogueira em frente ao espelho com a câmara e dita roupa, agora lê-se isto, inserem o que está escrito na contracapa do livro" e por aí vai. Sem grande interesse.
Também para umas que parece que não fazem mais nada na vida a não ser pintar as unhas com desenhos, tirar fotografia e estampar num blog sob o título "nail art". Tenho pena que um dos blogs de uma pessoa que escrevia razoavelmente bem se tenha transformado num desses. Vi-o tornar-se vazio. Apenas.
Depois há os fã sites de artistas. Estes mais frequentes aqui, e para séries, e para as notícias dos actores da série. Interessantes se não houvessem mil e trezentos para cada um, e esses mil e trezentos a copiar exactamente a mesma notícia, sem uma única opinião do autor que torne o artigo, e o blog, diferente dos outros. Já para não falar que são de artistas que eu não iria seguir na mesma, mas isso agora não é para aqui chamado.
Quem antes tinha blog pessoal, agora começou a substituir as entradas de diário virtual com isto.
Hoje, se for à procura de um blog que me faça interessar por ele e ler, que não tenha já visto antes e conhecido, não encontro. Não percebo. Já não vejo nada de muito interessante pelos blogs. Um ou outro que é a excepção, que se salva, e o resto é a desilusão total. Não se trata das pessoas escreverem mal. Aliás, mesmo eu olho para trás e vejo o quanto mudei ao longo destes anos, a minha escrita melhorou um bocado (era tenebrosa, no início). Trata-se de eu ler e não sentir que haja algum conteúdo aproveitável por trás. Nem sequer nada de personalidade no texto.
É pedir demais que voltem, nem que seja àqueles posts de "Hoje acordei mal disposta e preguei três berros, e os malvados responderam-me mal"? Porque por muito maus que parecessem, ao menos eram originais. Nem importa que a pessoa seja outra completamente diferente e esteja a pregar mentiras com quantos dedos tem, afinal eu também não vos peço que acreditem totalmente em mim, assim como eu não confio cegamente no avatar que quem está aí desse lado exibe. Mas parem com esta teoria que os blogs agora são um ofício sério, que se seguirem o "mainstream" vão conseguir fama, entrar numa revista online e ganhar tudo isso só a dizer como é que se veste amanhã.
Ou talvez seja eu que estou a ficar muito exigente. E selectiva demais, já que eu tendencialmente procuro por blogs que estejam mais próximos do meu. Com músicos, com escritos, com alguma forma de arte. Mania que se me deu.
Isto tudo porque estive a organizar a lista de links ali de lado, e apeteceu-me reclamar do seu diminuto tamanho justificando que este é diminuto porque de facto encontro poucos blogs que esteja disposta a voltar para ler mais.