Fantasma da Orquestra
Aquela figura negra que se senta no fundo da orquestra, o violino que se ouve ao longe na noite de espectáculo. Os bastidores da alma e do concerto que se leva nos ouvidos já bem depois de ter sido tocado. E treze fogos fátuos em cima da corda Lá.
14 de Novembro de 2011

   Caros senhores do Lidl

  

   No vosso folheto tinham estantes. Eu sei, para quinta-feira e eu não fui na quinta-feira, fui no dia a seguir e hoje. Não vi uma única estante à venda (só a porcaria dos suportes de guitarra, e todos os outros produtos do foro musical). Das duas uma, ou aqui a população toda desta Mordor quentinha à chuva resolveu que era dia de reabastecer o stock de estantes para partituras (ao menos que os da Associação se tenham lembrado de lá ir comprar umas, que só tinham uma... vergonhosamente marreca... e já os estou a imaginar à paulada com os do Conservatório, todos para umas estantes)...

 

   ...ou nunca lá as puseram à venda.

 

   Ora fossem levar nas nalgas e à merda mais à vossa publicidade enganosa. Aldrabões.

 

   Eu quero a porra de uma estante. Para o meu quarto. Que seja jeitosinha e não me custe os olhos todos que eu tiver no corpo.

 

   (Nota mental: lá vais ter de economizar milagrosamente do nada para um bloco de resina e uma estante na lojinha online, queres lá ver...)

Orquestrado por Violinista às 23:03
No momento, estou: Chateada
Música do momento: Concerto para violino de Kabalevsky
18 de Agosto de 2011

   Tirando a Educação Física, que me foi sempre um valente rombo na média porque eu nunca mandei uma para a caixa com nada do que lá fizesse, e, bem, também não era lá grande fã da Geografia, dava-me bem com todas as disciplinas.

   Há dias, na televisão, uma professora falava que a maioria dos alunos não tem o mínimo interesse pela disciplina Português, à qual, tal como as outras, fazem exame. Se formos a pensar, a maioria dos alunos são agora levados/arrastados/convencidos a ir, ou indo pelo próprio pé, para os cursos de Ciências e Tecnologias. E de facto, este curso tem o defeito de apertar com os jovens para o estudo intensivo de Matemática, Física, Química e Biologia (a Geologia até entrava, mas na verdade não parece também que seja das mais sortudas nesse quesito, porque não há já muitos a quererem estudar rochas, só os loucos encantados por vulcões). O Português só tinha direito a dois blocos durante a semana, e na sua maioria, os professores suam para dar o programa todo e de forma apelativa. Sem grande apoio.

   Lembro-me de ver gente a aproveitar as aulas de Português para estudar para uma daquelas disciplinas. A maioria não gostava de ler. A maioria queria lá saber de escrever grandes textos. A única iniciativa de ajuda ao Português foi a professora de Biologia mandar-nos ler o Pecado de Darwin. E a professora de Português gostava de mim. De uma turma inteira, pertencia aos dois ou três que se importava com aquilo.

 

   E agora espantam-se dos alunos não se interessarem no Portuquês? Esquecem-se que estamos numa sociedade que nas televisões e entre as pessoas, ergue apologias às ditas ciências, mostra-as como O caminho, A opção, do melhor que pode haver, do que mais tem importância. Desde cedo fomos ensinados da nobreza das ciências, e é raramento haver quem mostre ao filho a importância da língua mãe.

 

   E além disso, a recente notícia do encerramento de cursos que me fez vomitar. Deu-me impressão que neste país só se vão fazer médicos, farmacêuticos e engenheiros (corrijam-me se eu estiver errada). Não. Não pá. Simplesmente não. Não, não, não, não, não. Deu-me medo. Deu-me nervos. Então é essa a solução. Estúpidos, idiotas, filhos da puta, cabrões. Isso não se faz, isso não é solução. Cortar os sonhos de quem não vai por esse caminho não é solução. Isso não é nada. Não é assim, definitivamente, que me ganham o voto, ou sequer me dão vontade de querer continuar a ser portuguesa. Não, não tenho patriotismo com isto, não tenho e já pouco me importam os comentários de outros.

   Também me deu vontade de rir por irem fechar umas quantas universidades (incluíndo as de Lisboa) e moverem uma larga fatia de alunos para outras universidades, incluindo uma certa universidade. Sim, está certo, esta universidade aqui só seria alguma vez considerada uma boa e grande universidade quando fechassem as de Lisboa (mas, óh, esperem, a de Coimbra ainda fica. Prontos, segunda melhor).

Orquestrado por Violinista às 10:34
No momento, estou: Desanimada
Música do momento: O que quer que esteja a passar agora no Mezzo
18 de Julho de 2011

   Entrar de férias é ser momentaneamente abduzida de um computador, se bem que agora já há possibilidades de eu voltar, mesmo que poucas vezes, mesmo que ao primeiro dia a minha vontade de o fazer tenha sido nula. Na verdade, continua um bocado escassa. Eu não sei muito bem o que fazer agora que chego à terrível e incontornável verdade que até na internet eu sou anti-social. Olha, uma boa entrada para essa coisa do Facebook: sou anti-social até nas redes sociais, blogs, e afins. Maravilha.

 

   Estão a ver a imagem aí de cima? Poderia corresponder à realidade. Corresponde e não corresponde.

   Primeiro que bastaram dois dias para já me ter aborrecido com isto tudo por falta de comida que eu coma de verdade, porque não vou conseguir tocar nada de jeito e vejo a minha vida a andar para trás, com uma soberana vontade de começar a atirar coisas ao ar e a desatar aos berros até que me internem. Sim, montou-se a tenda, sim, a mantinha polar nova é uma gracinha, e apesar do corte radical nos livros a trazer, ainda tenho alguns. Mas, uma tenda é uma tenda.

   Estou condenada a duas semanas a tocar violino com calor, sempre sentada até me doerem as pernas e não ter posição para estar, o arco a bater em todas as paredes da tenda, sem estante, portanto, curvada para o chão para ver as partituras, e, como não tenho conseguido evitar, a tarde, não sei como, ficou-me reduzida em muitas horas. Ou seja, estão a ver o estudo de Mazas com harmónicos? Já os perdi. 38 de Kreutzer? As sovas que me estou a dar para o fazer não estão a surtir grande efeito, e este é daqueles que se eu o falho um dia, tenho meio mês de trabalho despejado no caixote do lixo. O concerto de Beriot? A coisa vai descambar em 3... 2... 1... Kavatine e aquele solo, que sei lá bem o que é o nome? Ainda não lhes peguei desde que saí de casa.

   Para completar, lembram-se do vizinho que no ano passado me fez concluir que aprendizes de violinistas e campistas não são malta para se misturarem no mesmo espaço? Parece que afinal é meu fã. Já cá está ao nosso lado. Outra vez.

   Portanto, eu vim de férias da cidade. E, se tudo correr bem e a minha cabeça ajudar, também vim de férias das pessoas da cidade. O resto enfiou-se tudo dentro do carro, e é por isso que ia tão cheio que não houve espaço para outras coisas.

Orquestrado por Violinista às 21:53
No momento, estou: Blue
Música do momento: Walking in the rain - Flash and the pan
11 de Julho de 2011

 ~ Descubro assim deste jeito, e no meio de férias, que na verdade a minha cabeça é demasiado at random, e voltei ao velho hábito de fazer listas a relatar os acontecimentos. E assim, vá de fazer uma espécie de série de posts com uma piada de mau gosto no título e sustenidos (acho engraçado que o resto da população comum identifica isto como "aquele símbolo do telemóvel", que só por acaso é um cardinal, e eu olho e atiro da boca para fora que é um sustenido). Esta lista vai conter indignações, reclamações, não sei se palavrões, e esta em particular tem um funeral de cão por dentro. Já explico. Há muita coisa que não disse por estes lados. Estas listas vão servir mais para as banalidades não tão banais da minha vida, porque a minha cabeça, caixinha maravilhosamente fora da garantia, dá azo a algumas coisas fora do comum.

 

 ~ Mas, para começar, digo que troquei a música. Agora é o segundo andamento de Sheherazade pelas mãozinhas do Oistrakh (isto porque eu corri o Youtube e nada de Capricho nº 6 por esse mesmo senhor, que era o que eu queria meter aqui).

 

 ~ Ainda antes de fazer anos, descobri que o cão da minha avó morreu. Lembro-me de quando ele foi para casa dela, eu era nova e ainda não tinha nenhum, apesar de insistir que queria. Era patudo, patusco, brincalhão, e fofinho como tudo. Logo nessa primeira tarde, ganhei uma carraça agarrada à orelha que foi um trabalhão para tirar na banheira. Cresceu, ficou mais pesado do que eu, e por isso ainda teve que me carregar à costas quando me dava na travadinha de ser engraçada. Este cão sofreu. Esteve mesmo muito doente, às portas da morte. Teve lombrigas no coração. Entre matar os bichos e esperar que os corpos destes saíssem do sistema sem lhe provocar um acidente vascular, nem pensávamos que sobrevivesse. Conseguiu. Este ano, aos quase 14 anos, deixou de comer com uma bola na garganta. Desta vez, desistiu. E eu reparo mais uma vez que é sempre nesta altura que os bichos nos morrem, quando já está calor. Revi-me outra vez naquele ano, quase nas mesmas circunstâncias. Até breve, companheiro.

 

~ Com imensa insistência de colegas minhas, cedi e tenho finalmente uma conta no FuçasLivro. Não gosto mesmo nada daquilo. Não posso escrever lá à vontade, preencher os espacinhos como me der na gana, tenho que ter o que já outros lá disseram. E ainda por cima não têm Malarranha. Não é nada bom sinal. É mais uma conta às moscas (e preparar para uma fuga épica de certa pessoa como a que eu fiz no hi5 quando esses alguéns finalmente se derem conta que eu afinal já tenho conta).

 

 ~ Por falar nisso, afinal sempre me mandou aquilo por mail. Por dois dias, julguei que mais uma vez não importava e já estava no caixotinho do esquecimento. Não. Sempre que a coisa é má, não. Já imprimi o dito, e como as duas primeiras folhas não saíram bem porque a minha impressora é uma anormal que vandaliza documentos em .pdf e deixa uma margem de um quarto de folha em cima para cortar na margem de baixo, agarrei nessas e numa outra e mutilei o Concerto de Beriot e o Concerto para dois violinos de Bach, e fiz uma capa nova para a minha pasta.

 

 ~ Tenho andado ligeiramente frustrada. Está bem, agora até roupas eu tenho de comprar com dinheiro que me dão, dinheiro esse que eu tenho de poupar para pagar o conservatório. A única coisa que se me ocorre agora é que eu não vou comprar roupa (também, não é que eu precise muito agora, com urgência, porque também não me tem faltado roupa, nem nada. Podem é não ser coisas que eu goste, e seguramente que só três casacos, e meia dúzia de peças de roupa é que são de marcas género Pull&Bear e Stradivarius, mas não ando rota nem nua), e ultimamente tenho andado a reparar que as minhas meias estão-se a romper. A carta de campismo definitivamente não vai sair do meu bolso. A parte do campismo ainda tolero, a parte da praia dispenso, e se esse for um sacrifício a fazer, faço-o bem. E agora que, depois de dois anos, marquei consulta no oftalmologista para novas lentes (obrigada, Rondó do Mozart, mais às tuas notas liliputianas que foram falso alarme porque não tocámos essa coisa mais vez nenhuma e em nenhum concerto), eu realmente quero trocar de óculos. Já chega. Não adianta dizer que eu gostava destes, porque estive sempre contrariada. Eu quero óculos redondos. Mas, só por isto, já aí vem um trinta e um de "o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro".

 

 ~ Não compro revistas (a única que comprava era a edição mensal das Witch até para aí aos 15 anos). Não esturro poupanças nas lojas do centro da cidade (a última extravagância desse género foi no ano passado, um casaco, em saldos). Não compro chocolates nem Pringles, nem pizzas (apesar de todos saberem que eu adoro isso). Ando a pé, e muito. Não vou a festivais de verão, praticamente, nunca fui. Já não posso comprar cd's. Ando há meses a namorar livros de Sherlock Holmes, José Luís Peixoto, Terry Prattchet e Neil Gaiman, o Fausto de Goethe, e uns volumes consideráveis de história da música, e nada, nadicas, não posso mesmo. Estou com uns fones quase totalmente estragados, e a bateria do telemóvel está a deixar-me preocupada. A minha maravilhosa colecção pessoal de livros que não incluam livros amarfanhados à biblioteca dos pais está assim por um fiozinho. Rezo para que este violino se mantenha inteiro ainda para o resto da vida, porque não vejo perspectivas de arranjar um melhor. Rezo para que a corda  aguente, porque não tenho mais, nem tenho como sustentá-lo a Dominats de dois em dois meses. O que é que isso faz de mim? Uma pessoa que ainda não está gorda (mas não sou magra, longe disso), que anda a pé sob um sol arrasador, e que se está a sentir cada vez mais burra, porque há qualquer coisa errada neste panorama.

 

 ~ A propósito, o final da sanha minha com os carros chegou. Tirei, finalmente, a carta, e já a recebi (mais um documento pessoal com uma fotografia horrorosa). Porém, continuo com uma relação conturbada com carros. E há poucos dias apanhámos todos um cagaço com uma brigada. Nunca antes nos tinha acontecido. E nenhum de nós se tinha propriamente cortado em relação à bebida. Felizmente, não aconteceu nada, fomos salvos por garrafas de água. Dica: levem muita água no carro, garrafas e garrafas de água.

 

 ~ Em todo o caso, dei por mim a virar-me para o karma, ou seja lá o que nos controla a sorte, e a dizer-lhe que me pode esfregar na lama quantas vezes quiser à conta de muitas pessoas, mas nos meus pais não toca. Estive deseperada. Em desepero, uma pessoa torna-se incrivelmente crente e estúpida. Vejo que acreditei ao ponto de dizer isso, ver-nos safos e já saber que para o ano me deve esperar um ano de tortura psicológica refinada. Suspiro. E ainda por cima estas coisinhas aqui não são fáceis. Reclamava eu do nº 35... até pôr os olhos no nº 38. E pensar que no início do ano passado eu estava bem, eu estive bem durante muito tempo. Tenho saudades desse tempo.

 

 ~ Continuo chateada com esta cidade que não tem cinema, nem algo mais interessante, devido à presença dos meus pais em casa acabei de perder o segundo concerto de violino e piano a que queria assistir, já ouvi algumas coisinhas sobre o primeiro que me deram um nó na garganta (mas que não são de todo verdade... estavam lá pelo menos três alunos, eu, a Persa de Piano e um que só vi no coro). No entanto, sem cinema, zero Harry Potter para mim.

 

 ~ Mais interessante ainda, troquei a hora de almoço para escrever uma lista de coisas banais para soltar a língua. Isto significa que estou de férias, esta tarde vou-me atirar outra vez àquele concerto sem esperanças de melhorar, e estou momentaneamente sozinha em casa.

 

 ~ Quero Pringles. E uma pizza. E ter um puffe em frente a uma televisão para ficar a ver dvds de temporadas de Doctor Who que não tenho. E os filmes de Harry Potter, e Sherlock Holmes, e Alice, e ler livros. À noite. De dia é só as Pringles e o violino, se faz favor. E com os óculos. E a mala da wishlist.

Orquestrado por Violinista às 12:52
No momento, estou: Estagnada
Música do momento: Claire de Lune em violino e piano - Debussy
07 de Julho de 2011

   Sinto, neste momento, que os blogs se tornaram um excelente negócio em que todos riem e eu olho cá deste lado com calmo interesse escasso. Já teve mais graça. Já teve blogs que me faziam ler-lhes os arquivos, por mais extensos que fossem. Gosto de ler, seja curto ou grande. Não sendo grande fã de Twitters limitados a 140 caracteres, porque há dias em que as coisas não se expressam apenas nesses caracteres, não me incomodam aqueles que escrevem posts longos. Sei de gente que se incomoda, que entra aqui, dá de caras com um post do tamanho que este vai ter e saí sem lhe apetecer gastar os olhos num texto que nunca mais acaba. Tudo muito bem, não fossem os habituais blogs estarem a desaparecer. E aparecerem outros que... bem... o povo ri, aplaude, e eu fico estática.

    A minha aventura já um bocado longa com um computador ao lado começou quando eu era ainda criança. Não tinha mais de dez anos, e o meu pai, em vez de me levar à DisneyLand, comprou um computador (fui das primeiras na minha sala a ter um computador e a saber mexer-lhe, mas ainda hoje suspiro por nunca ter ido à terra do Mickey). Era todo creme, grandinho, com peças da Microsoft, um ecrã crt volumoso com bigodes (apareceram rachas nos cantos inferiores, que carinhosamente apelidámos de bigodes), montado por um colega do meu pai. Lembro-me dessa noite como se fosse há pouco tempo, eu enrolada no sofá com os meus bonecos a olhar para o meu pai e o pai do computador a mexerem naquela coisa. Tinha uma protecção de ecrã com um mergulhador, e sempre que abríamos uma janela, fazia barulhos "marinhos" (golfinhos, focas, o som de mergulhos,...), e a internet era Sapo. Um fio que se ligava ao telefone, e se comparada com esta, coitadinha, fazia aquele barulho de ligação e não era nada veloz. Mas era o suficiente na altura.

   Entrei na blogosfera só anos depois, aos treze ou catorze, já estava noutra casa, com outro servidor de internet (este que tenho agora). O computador foi mudando, primeiro quando se avariou e o trocámos, depois o teclado, o rato, e o ecrã. Já nem as colunas são as mesmas.

   Primeiro foi a blogosfera brasileira. Começou quando eu pesquisava por Harry Potter no Google e apareciam aqueles blogs de fanfiction colectiva, com direito a personagens controladas por várias pessoas numa espécie de rpg de blog. Havia um principal, um pioneiro, chamado Expresso Hogwarts para o qual todos queriam entrar e fazer parte dele (na única vez em que eles abriram inscrições, o meu computador estava convenientemente avariado, e tenho hoje a certeza que nunca teria tido hipótese alguma de fazer algo suficientemente bom para entrar), e cerca de vinte ou trinta outros mais ou menos no mesmo estilo, porque era a febre. E eu adorava aquilo, tanto que cheguei a tentar. Para mim, naquela altura, um blog era para aquilo: histórias fictícias apenas. Mais tarde viria eu a criar um blog pessoal (ao todo já criei cinco blogs pessoais, e mais umas ameaças de uns, e estão todos apagados, menos este claro), além de me integrar nalguns daqueles que depois me deram a oportunidade de conhecer blogs pessoais de algumas pessoas cujos textos leio, aprecio, e de quando em quando dão uma opinião mais pessoal. A minha imagem actual de um blog vem disso: um blog com algum texto substancial para oferecer, mas que tenha vida da pessoa.

   Só anos depois encontrei a blogosfera mais dita portuguesa, ou seja, há um ano atrás encontrei os blogs do Sapo, quando os blogs de Harry Potter desapareceram na sua maioria, e eu deixei o Blogspot e vim aqui para este cantinho, em vez de ir para o Tumblr (que, não me perguntem porquê, não aprecio lá muito, é pesado, é lento e não sei onde fica o lugar dos comentários, acho que nem tem, e isso para mim não serve). Apesar de tudo, as diferenças acabam por não ser muitas, e de quando em quando as duas esferas tocam-se. Já não é a primeira vez que encontro referências a blogs de um lado no outro.

   E eis que agora a blogosfera se enche de uma onda de blogs de moda. E outros que copiam a mesma informação sobre determinado assunto sem mudar uma vírgula.

   Os blogs de moda começaram muito inocentemente com aqueles blogs em que a autora punha fotografias de "looks", ou seja, vestia-se com roupas escolhidas a dedo como uma rapariga veste uma Barbie, e tirava fotografia, e isto, meus caros, é a moda que a malta agora segue para se vestir. Os blogs de moda tentam fazer aquilo que eu nego já até à minha mãe, e se lhe nego a ela, nego a toda a gente: dizerem-me como vestir. Odeio isso. Eu prefiro estar bem comigo e parecer horrível aos outros do que estar a envergar coisas que não aprecio. Eu sei que essa teoria não me traz lá muita fama. Encolho os ombros. Agora dizerem-me que aquilo é que é bonito, e é a moda, e dizerem-me o que eu tenho de vestir e fazer, não vou nessa onda. Entretanto, há aqueles blogs chamados "trendy feminino", com colunas sugestivas como "O que é que eles pensam delas..." sobre várias peças de roupa, em que um dos ditos homens a avaliar as mulheres para elas saberem se estavam no bom caminho para agradar aos gajos se descreveu como "gordo pervertido". A sério que uma mulher precisa da opinião de um "gordo pervertido" para se vestir? Sem falar que entre os quatro portadores do cromossoma Y as opiniões iam do oito ao oitenta e fica-se na mesma. Os posts, basicamente no estilo "agora está na moda o rosa piroso, imagens de um desfile qualquer, agora usa-se mais isto e isto, imagens da blogueira em frente ao espelho com a câmara e dita roupa, agora lê-se isto, inserem o que está escrito na contracapa do livro" e por aí vai. Sem grande interesse.

   Também para umas que parece que não fazem mais nada na vida a não ser pintar as unhas com desenhos, tirar fotografia e estampar num blog sob o título "nail art". Tenho pena que um dos blogs de uma pessoa que escrevia razoavelmente bem se tenha transformado num desses. Vi-o tornar-se vazio. Apenas.

   Depois há os fã sites de artistas. Estes mais frequentes aqui, e para séries, e para as notícias dos actores da série. Interessantes se não houvessem mil e trezentos para cada um, e esses mil e trezentos a copiar exactamente a mesma notícia, sem uma única opinião do autor que torne o artigo, e o blog, diferente dos outros. Já para não falar que são de artistas que eu não iria seguir na mesma, mas isso agora não é para aqui chamado.

   Quem antes tinha blog pessoal, agora começou a substituir as entradas de diário virtual com isto.

 

   Hoje, se for à procura de um blog que me faça interessar por ele e ler, que não tenha já visto antes e conhecido, não encontro. Não percebo. Já não vejo nada de muito interessante pelos blogs. Um ou outro que é a excepção, que se salva, e o resto é a desilusão total. Não se trata das pessoas escreverem mal. Aliás, mesmo eu olho para trás e vejo o quanto mudei ao longo destes anos, a minha escrita melhorou um bocado (era tenebrosa, no início). Trata-se de eu ler e não sentir que haja algum conteúdo aproveitável por trás. Nem sequer nada de personalidade no texto.

   É pedir demais que voltem, nem que seja àqueles posts de "Hoje acordei mal disposta e preguei três berros, e os malvados responderam-me mal"? Porque por muito maus que parecessem, ao menos eram originais. Nem importa que a pessoa seja outra completamente diferente e esteja a pregar mentiras com quantos dedos tem, afinal eu também não vos peço que acreditem totalmente em mim, assim como eu não confio cegamente no avatar que quem está aí desse lado exibe. Mas parem com esta teoria que os blogs agora são um ofício sério, que se seguirem o "mainstream" vão conseguir fama, entrar numa revista online e ganhar tudo isso só a dizer como é que se veste amanhã.

   Ou talvez seja eu que estou a ficar muito exigente. E selectiva demais, já que eu tendencialmente procuro por blogs que estejam mais próximos do meu. Com músicos, com escritos, com alguma forma de arte. Mania que se me deu.

 

   Isto tudo porque estive a organizar a lista de links ali de lado, e apeteceu-me reclamar do seu diminuto tamanho justificando que este é diminuto porque de facto encontro poucos blogs que esteja disposta a voltar para ler mais.

Orquestrado por Violinista às 23:04
No momento, estou: Entediada
Música do momento: Concerto nº 9 - Beriot

Violinista, C. S. L. Stradivaria. 19. Nº 5. Nº 13. Pseudo Violinista. Estudante. Nerd. Chapeleira. Vitoriana. Dandy Lolita. Incerta. Inconstante. Sonhadora. Inteligente. Invisível. Tímida. Imprevisível. Intelectual. Estranha. Deprimida. Lacrimosa. Egoísta. Respondona. Obcecada. Cínica. Anti-social. Teimosa. Orgulhosa. Calada. Perfeccionista. Louca. Baixinha. Ridícula. Original. Solilóquio em Celulóide. Violino. Música. Letras. Notas. Pautas. Relógios de Bolso. Cartolas. Magia. Paranormal. Roxo. Vermelho. Raposa. Coruja. Melro, Corvo e Pêga. Cisne. Pássaro de Fogo. Chocolate. Chuva. Quinta Dimensão. Submarino Amarelo. Petrushka. Viajante do Tempo. Extraterrestre. Fantasma.
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